Início de ano e os tratados começam a tomar corpo nas salas de aula e nos diferentes espaços da escola. E a proposta de olhar-se aparece para ver a quantas andam as emoções e os sentimentos das crianças da Educação Infantil, no contexto das regras de convívio.
Sensibilizar, envolver e fortalecer os laços das amizades de crianças tão lindas, e que muito nos podem ensinar também, é algo surpreendente nesse contexto.Uma vida sustentável... precisamos do outro. A origem do ser humano se dá na dinâmica da cooperação e da linguagem, de acordo com Maturana: "o humano surge na história evolutiva a qual pertencemos ao surgir a linguagem, porém se constitui de fato como tal na conservação de um modo de viver particular centrado em compartilhar alimentos, na colaboração de machos e fêmeas na criação das crianças (...) o emocionar, em cuja conservação se constitui o humano ao surgir a linguagem, se centra no prazer da convivência, na aceitação do outro junto a nós" (Humberto Maturana. Da biologia a psicologia". 3 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. p. 86).
Primeira cena, a apresentação da poesia de Ruth Rocha, "Crianças Lindas". E exploramos com elas os limites entre realidade, criação e a arte de reler-se no ambiente. O alunado ouviu uma das professoras ler a poesia, depois leram juntos. Em seguida, um novo momento do ouvir, a poesia gravada na voz da outra professora.
Próxima cena: aguardar a surpresa do dia! As duas professoras se vestem como "lindas crianças" e desfilam entre elas. Pouco a pouco se animam a desfilar. As fantasias ganham o cenário, e os tais encantados se identificam e movimentam-se entre seus colegas.
As músicas da "Arca de Noé", de Vinícius de Moraes, embalam os passos, a marcha, as voltas, o giro, o pisar na ponta do pé, a pisada mais firme, mais suave, mais solta, sorridentes, orgulhosos de si, as trocas de fantasias, os olhares se tornam cúmplices. A bicharada fica solta e toda garbosa.
Olham-se no espelho, os inibidos se desinibem, os extrovertidos interagem no grupo e se misturam tanto que não se sabe mais quais deles eram os inibidos. As professoras se misturam e sorriem com o desenvolvimento do trabalho.
A culminância acontece com as crianças de 5 anos desenhando-se. Uma aluna sentiu dificuldade nesta última atividade, voltou com a professora diante do espelho e teve um acesso de choro, emocionada com o fato de se perceber bonita e abraçada nesse conjunto vivenciado.
"...o emocionar; em cuja conservação se constitui o humano ao surgir a linguagem, centra-se no prazer da convivência, na aceitação do outro junto a nós, ou seja, no amor; que é a emoção que constitui o espaço de ações no qual aceitamos o outro na proximidade da convivência. Sendo o amor a emoção que funda a origem do humano, e sendo o prazer do conversar nossa característica, resulta em que tanto nosso bem estar como nosso sofrimento dependem de nosso conversar". (Maturana, Humberto, A ontologia de realidade. Belo Horizonte: UFMG, 1997. p. 175)
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