quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Educação para o sensível: borboletinhas ou cruzes


Poéticas em construção reinventando o derredor

A evolução é um processo conservador. Quando falamos dos seres vivos, da sua diversidade, e pensamos na explicação evolutiva – que propõe cada ancestral comum a todos eles - nos maravilhamos com as mudanças que tiveram que ocorrer desde a origem dos seres vivos até o presente. Essa maravilha, contudo, não deve ocultar-nos o que é fundamental para que a história se produza: a conservação do novo na conservação do velho. (Humberto Maturana)

Olhar a escrita de um menino de 3 anos em pleno vôo da escrita é compreender a fluência e a autenticidade de suas representações, a criança traça dois segmentos de retas um vertical mais comprido sob um outro risco horizontal bem mais curto que o primeiro, faz a cruz e diz que ela representa as borboletinhas, pois, no ato da escrita vai dizendo em sua fala socializada, para si mesmo, “muitas borboletas” e ao final faz uma cruz maior e indica “esta é a mãe”.

No ato da escrita está a nos comunicar algo, e segundo Vygostky (1988), “comunicar é o ato de compartilhar pensamentos”, assim se estabelecem vínculos para as aprendizagens. O que esta criança está a nos chamar atenção? Ver o mundo mais integrado? Ela produz sentidos enquanto canta, dança, se move, pára, olha, coça a cabeça, leva o lápis à boca, sorri, dá-lhe mais animação e acredita estar escrevendo, e de fato está. Qual é o seu conhecimento sobre a escrita? A escrita como representação de significados que ela mesma atribui enquanto vai cantando e nos fazendo visualizar e buscar novos sentidos como mediadores.

Pensamento lógico-matemático, movimentos, sentimentos, acanhamentos, desembaraços, segurança no outro, papel, lápis, escrita, segmentos de retas, geometrias mil, tamanhos e comprimentos, representações, sorrisos, dizeres conexos, a memória do canto entre colegas, muitas borboletinhas e a borboletona.
Apenas três anos a nos ensinar a pensar mais um pouco com nossos borbotões e referências. E se tivéssemos tido a oportunidade de expressão?

Tudo podia ser diferente do jeito que hoje a gente vê. Dá-lhe lembrança de Jandira Masur, em o “Jogo do Contrário”. Livro que vale a pena ler por brincar com as contrariedades.

Falando em contrariedades: e as provas dos vestibulares em que diferem desta prática conceitual dos testes da psicogênese da língua escrita? Aqui e ali na educação infantil a criança aprende a escrever do seu jeitinho e lá mais adiante por que desaprende? O discurso é outro. Os modelos didáticos da escola tradicional não conseguem ser interdisciplinares e contextualizados. Os alunos não conseguem mais dançar sobre o conhecimento com suas memórias e reinvenções geométricas, as narrativas se escondem ou se anulam.

A escola dá excessiva valorização à memória e aos conteúdos em si e assim deixa de colocar o estudante diante de situações-problemas como estudos de caso, aulas-passeio etc. A escola pode solicitar que além dos conceitos o aluno saiba aplicá-los. O espaço cotidiano do currículo deve possibilitar tempos de aprender entre pares, professores na ecologia das salas interativas e abertas.

Por que o futuro profissional ao sair dos bancos universitários sente dificuldade de vivenciar a prática? Como o novo professor se coloca mediando conhecimento e saberes pela primeira vez em uma turma de alunos?

O que perturba, no bom sentido, um acadêmico de Pedagogia no segundo semestre, quando vai a campo, é lembrar que deverá sair da saia justa que as crianças lhes deixam como em outras ocasiões. O teste da psicogênese da língua escrita é o mote para a fluência criativa e autorias quando deixa a criança à vontade para escrever do seu jeitinho.

Educar para o sensível é buscar compreender, a saber interpretar e mediar por sobre conhecimentos e saberes. Que perguntas surgem? Que silêncios operam? Que desafios se colocam?

Os futuros pedagogos voltam-se a fazer o relatório após vivências com a criança colaboradora com bons episódios, belas imagens e sorrisos. E isto nos faz bem por nos encher de esperanças e nessas diferenças criadoras quando podem sensivelmente dizer, e também como Jandira, em um outro seu livro, que “o frio pode ser quente”.
Com Morin (2000) aprendemos que “é preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas, em meio a arquipélagos de certezas”, as desconstruções abrem e expandem a nossa sensibilidade em pleno vôo reconstrutivo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O saber, o aprender e o ensinar: autonomia da criança x autoridade do professor



A professora e a mãe: conversas sobre processos de mediação

Muitas vezes as mães se mostram inseguras e, até mesmo sem querer, criam dependências em seus filhas e filhos, nossos alunos e alunas. Elas querem que seus filhos aprendam, mas, não percebem os limites das aprendizagens e acabam gerando dependência mútua. A conversa entre uma acadêmica do curso e a mãe de uma criança colaboradora despertou-me a vontade de falar sobre tal assunto. A menina de seis anos é sua aluna na igreja de Escola Sabatina. A mãe se surpreendeu com a criança, a professora foi firme, amorosa e decidida na mediação. A criança confiante se sentiu livre para acreditar no seu próprio saber.

"No domingo à noite, após falar com sua mãe levei-a para uma sala reservada e expliquei sobre o trabalho. Antes sua mãe me falou que Marcelle escreve com uma pessoa falando para ela as letras, mas expliquei que ela iria escrever sozinha. Concordou em ajudar e dei as instrucoes. Comecei a ditar a primeira palavra (borboleta - após cantar com ela animadamente a música da borboletinha), e ela me perguntou qual era a letra. Falei novamente sobre escrever como sabia, e então começou a escrever. Soletrava sílabas enquanto escrevia, e assim continuou com o dedo na boca, pensando e soletrando. Quando chegou na palavra nariz, ela parou pensou, falou o som do iz no final da palavra e escreveu marisi. Na frase 'A borboleta está na cozinha', antecipou o s do está. Escrita alfabética, sem segmentação entre palavras. Escolheu a borboleta, o pau e o nariz. Falou bem baixinho, meio sem-jeito, sobre o fato de só saber desenhar o nariz como triângulo, como se desculpando".

O que é o erro? Por que no ato do desenho da borboleta, lembrou-se do nariz? Por sentir vergonha de desenhar assim o nariz e ter exitado em escrever a palavra? O erro deve ser entendido como uma oportunidade, um desafio e não uma ameaça. Na confiança da mediadora que lhe conferiu espaço para problematizar, questionar e reformular estratégias, a criança foi percebendo que o erro pode ser construtivo. Não apagou a sua primeira tentativa de escrever pau, apesar de ter rabiscado em volta. Se verbalizasse seu conflito, encorajada pela mediação, poderia rever saberes, problematizar e encontrar soluções remediativas. Mesmo em seu silenciar, ela encontrou o que buscava. Bons ensaios de Mediação! Comprovada Autoridade!

- E agora, mamãe? Para ajudar as mamães a repensar saberes e rever a função educadora também enquanto mediadoras do conhecimento na escola da vida, tão intensamente entrecruzada de olhares e tocares, idéias, vivências e confluências de sentimentos, emoções, razões, mitos, ilusões, sonhos, verdades e utopias...

Didática Piagetiana e a Orientação Pedagógica: o que as mães precisam saber para se sentirem mais tranquilas, sem deixar de serem amorosas.

A criança paparicada demais pode se sentir tolhida quando a mãe faz tudo por ela como prova do seu grande amor. A pequenina não come sozinha, não escolhe a roupa que quer vestir, não calça seu sapato, não pega um copo de água (?!).

A criança aprende é com a experimentação. O bebê cai e se levanta quando está aprendendo a andar. Ao tentar proteger o filho ou a filha para que não tenha nenhuma queda contribuímos para que essa criança se torne medrosa e receosa.

O meio termo é a melhor medida. A criança que se sente amada na medida certa se torna muito mais segura, se desenvolve cognitivamente, sente vontade de explorar, de aprender coisas novas, enfim, se sente equilibrada. É preciso amar com responsabilidade.

A afetividade é o motor da inteligência, segundo Piaget. E uma forma de se relacionar afetuosamente é demonstrar que se está realmente interessado na aprendizagem da criança. Em sua autonomia. E a nossa autoridade? Ressignificar os próprios sentimentos.

Desenvolvimento Cognitivo• Nunca subestimar a criança quanto as suas capacidades. É muito comum esperarmos que elas não sejam capazes de realizar determinadas tarefas e facilitarmos suas ações como a abrir uma lata de biscoito, a se limpar no banheiro, a desembalar uma bala, a alcançar um objeto que esteja no alto etc.
• Não fazer pela criança aquilo que ela pode fazer sozinha. Propor sempre que ela resolva por si mesma. Quando muito, dar uma pequena ajuda, mas nunca substituir a ação da criança pela sua.
• Não basta que ela faça algo é preciso que compreenda o que faz. Ela precisa construir e edificar as aprendizagens, através de seus próprios modelos, conceitos e estratégias.
• O adulto mediador gradua a atividade de acordo com o nível da criança. E o grau de dificuldade deve ser crescente, por andaimagem.
• Se a criança aprende pela própria ação é preciso deixar que ela tente, experimente, observe...
• Não ensinar verbalizando ou explicando. A criança aprende com a ação! É escrevendo que ela aprende a escrever. Deixá-la consultar suas "memórias", dar espaço para pensar e interpretar.
• Deixá-la e se sentir livre para ler o mundo, falar com o outro etc. A criança conversa quando trabalha. Conversa é socialização. Para ela, é difícil realizar uma tarefa sem conversar. É-lhe natural. Mais espontâneo.
• Se não for possivel uma ação sobre o conteúdo é porque não é útil para a criança. O conhecimento útil é passível de ser transformado numa ação apropriada (motora, representada ou verbal). Torna-se bem mais significativo.

No mundo atual, percebemos que os pais e as mães se sentem meio perdidos diante da correria, da influência midiática, do controle da própria ansiedade, no fortalecimento das próprias inseguranças olhando com a criança o tal amanhã. Nesse atropelo, ouvimos de um pai na escola que nos disse, em desabafo: "eu não sei mais o que fazer com meu filho, ele está aqui para que vocês façam alguma coisa por ele, entrego na mão de vocês ...". Somos mediadores no papel de orientadores educacionais. E vamos enfrentando as realidades assistencialistas e escassa geração de renda. Trabalhamos o imaterial: a formação das crianças.

- E o Brasil?

E daí? Como fica a professora, a coordenação pedagógica frente aos pais que se rendem a determinadas condutas de seus filhos-alunos? O que está errado? E a bolsa-professor? Inspirei-me na postagem da Jenny refletindo sobre a profissão-professor e o comentário que deixei lá em Professores do Brasil.

sábado, 31 de outubro de 2009

Alfabetizar-se letrando na cultura escrita...

RECEITAS NOVAS?
MAIS SABOROSAS?

A postagem feita, em 27.10.09, que me inquietou e igualmente levou educadores a refletir mais um pouco sobre a aprendizagem da leitura e da escrita e a relação alfabetização x letramento x cultura escrita foi provocada por uma aluna de Pedagogia, que atualmente estuda o sexto período do curso. Ver postagem original em noah chiavenato. Fico animada pelo que nós professores aprendemos com os nossos alunos que nos fazem refletir mais sobre o processo que estamos construindo em nossas interlocuções com leituras, práticas, debates, releituras e reescritas. E "dá-lhe" desconstruções! Somos aprendizes a nos deixar tocar e revisitar nossas próprias certezas. É com essa simplicidade que vamos caminhando, conversando e sobre contrariedades, identificações e reinvenções.

As nossas postagens e comentários refletem esse desejo permanente de aprendermos com o outro. Sabe-se que para ser um ato de conhecimento o processo de alfabetização demanda uma relação de autêntico diálogo. Aquela em que sujeitos do ato de conhecer se encontram mediatizados pelo objeto a ser conhecido. Nesta perspectiva, portanto, os "alfabetizandos" assumem, desde o começo mesmo da ação, o papel de sujeitos criadores.

Como nossos interlocutores trago alguns pensadores da área para, em conformidade, com a postagem crítica da Fátima em questão dos métodos
, sobre a reportagem da Folha de São Paulo, a respeito das experiências de alfabetização no país e a relevância de como se dá ao método fônico contrapondo-se à forma de conceber a escrita enquanto representação da linguagem, ou seja, hoje nós da área re-olhamos a escrita não mais como simples código de transcrição gráfica de unidades sonoras. Mas, qual é o método mais acertado? Repetindo-se ao que Noah questiona (?!) e ao de tantos outros estudantes mais.

Sabemos que a criança aprende como um sujeito ativo que interage de forma produtiva com o objeto do seu conhecimento. Desta maneira, para apimentar o debate, segundo Pedro Demo (2009), o que se torna mais decisivo, nesse caso polêmico, é a qualidade do professor - "um bom professor alfabetiza o aluno, partindo do aluno, ajustando o método - método é algo instrumental, não é a razão de ser". E nesse debate reiteram-se:

Freire (1982): "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem".
Ana Teberosky (2005): "consegue ler bem quem teve algum tipo de oportunidade fora da escola. Os que dependem só dela são os analfabetos funcionais. A aquisição das habilidades de leitura e escrita depende muito menos dos métodos utilizados do que da reflexão que a criança tem desde pequena com a cultura escrita".
Emília Ferreiro (2001): "A escrita é importante na escola, porque é importante fora dela e não o contrário".

E por este motivo insisto no trabalho com crianças colaboradoras seja com estudantes de Pedagogia ou com professores em formação continuada a fim de aprender como Freinet (1979), pois, "meu único mérito como Pedagogo é talvez o de haver conservado uma influência tão marcante de meus primeiros anos: sinto e compreendo, como criança, as crianças que educo. Os problemas que elas se colocam, e que são tão grave enigma para os adultos, eu os coloco ainda para mim mesmo, com as claras lembranças de meus oito anos. E é como adulto-criança que detecto, através dos sistemas e métodos com que tanto sofri, os erros de uma ciência que esqueceu e desconheceu suas origens". No meu caso específico, aprendi a ler e escrever aos cinco anos de idade, na década de 60, entre 67-68, minha mãe me disse que de repente me viu lendo e escrevendo e não sabe explicar como. Por quê? Minha mãe, que era só normalista, se aposentou em 1976, e foi durante 33 anos professora de 1a. série. Eu frequentava a escola com ela desde os quatro anos de idade, andava de sala em sala e adorava ficar com as serventes e merendeiras da escola, ouvindo suas histórias e seus contos-cantos-encantos enquanto preparavam o lanche da meninada ou limpavam os banheiros tão cheios de escritas secretas em suas portas e paredes internas. Ah! eu adorava ler gibi. E ela não sabe ainda como aprendi...

Os 70 professores da escola, que eu trabalho como coordenadora, questionaram-se e aprenderam a ouvir melhor as suas crianças colaboradoras, em dezembro de 2008, re-olhando seus processos de aprendizagem:

- O que sabemos das crianças, de seus processos de desenvolvimento, da construção de seus conhecimentos, da ampliação de suas visões de mundo?

- O que conhecem sobre a escrita a partir do lugar de onde vivem? Como adquirem esses conhecimentos?

- Como interagem com a escrita – esse objeto cultural – e como interpretam o ato de leitura?

As perguntas foram as seguintes: "o que é escrita para você? para que se escreve? onde tem coisas escritas para se ler em casa? qual a palavra que você acha mais bonita? mais gostosa? etc.".

Os objetivos dessas entrevistas foram:
Geral: Analisar os processos de aquisição da escrita nas crianças, nas relações de ensino e no movimento das transformações histórico-sociais.

Específicos:
- Investigar processos e estratégias que crianças - da Educação Infantil aos primeiros anos - usam para interpretar a escrita no meio em que vivem.
- Identificar conceitos que a criança desenvolve a respeito deste tipo de linguagem antes do início de uma instrução formal.

Apresento alguns dos resultados na apresentação abaixo:


sábado, 24 de outubro de 2009

Reflexões sobre processos de alfabetização: saber ouvir, re-olhar e mediar

A competência docente – a autoridade do argumento:
O professor é um organizador das aprendizagens quando consegue realizar a transposição didática daquilo que aprende na teoria, de forma reflexiva e práxica, reinventa o conhecimento, mobiliza seus referenciais, recria seus próprios modelos e integra a autocrítica. O professor se permite aprender enquanto ensina, tornando-se sensível às aprendizagens e se dispõe a saber ouvir o aluno, e com ele re-olhar o movimento e as situações das aprendizagens que surgem no processo de construção do conhecimento. Nóvoa (2001) destaca duas importantes competências na prática docente: a organização e a compreensão do conhecimento e isto inclui a tomada de consciência, as habilidades metacognitivas, o autocontrole, os novos discursos. Educar significa propor questões, problematizá-las, reconstruir situações, desconstruir-se no processo enquanto se busca resolvê-las.



A autonomia do aluno:
Dentre as estratégias metacognitivas quando se faz conhecer o próprio conhecimento, os erros e as limitações se colocam a caminho das aprendizagens. É importante mobilizar os alunos a tomarem consciência do percurso de sua autonomia, por meio de atividades que estimulem a produção do “leitor”, daquele que se permite errar e soergue diante da produção de novos significados e sentidos. A autoria acontece nos questionamentos e desafios, na busca de argumentações e idéias, na reinvenção de estratégias para resolver problemas. E novos conhecimentos e aprendizagens advêm de emoções de caráter público, sentimentos de caráter privado, das percepções, relações, assimilações, contrariedades e de acordos que permeiam o cotidiano e suas realidades entrecruzadas. As interpretações e sínteses se tornam parceiras no processo de construção do conhecimento.

Poderia eu passar batida se o meu óbvio não me interrogasse em determinadas situações das aprendizagens dos alunos. Uma das aprendizagens mútuas que travamos em nossa roda cultural na turma do segundo semestre de Pedagogia sobre o conceito da escrita como representação ou enquanto código. Coloquei-me a ouvir o entendimento que tinham sobre representação enquanto liam o livro "reflexões sobre alfabetização", de Emília Ferreiro, e disseram-me haver entendido a diferença entre fonema e letra, a exemplo do “xis” da palavra exame: a letra é x e o fonema /z/... Não haviam percebido que ainda se tratava de códigos e não de representação. Depois conversamos sobre suas outras concepções de representação. Problemas semânticos como porque a letra é arbitrária, algo que ficou mais concreto na transposição conceitual de números e símbolos matemáticos pelos conflitos cognitivos que ainda sofrem... Que resenha seria essa? O entendimento deles era lógico - para eles - assim como para mim a palavra representação era muito óbvia...


Como venho me desconstruindo neste vai e vem, por me permitir escutar e não somente inferir sobre seus entendimentos e dificuldades de compreensão. Neste momento vamos aprendendo juntos a reconstruir o conhecimento. Boas experiências. Melhor ainda quando entram as crianças colaboradoras que eles mesmos escolhem e novos óbvios são desmascarados.


Segundo afirma Perrenoud (2000, p.29), “o professor que trabalha a partir das representações dos alunos tenta reencontrar a memória do tempo em que ainda não sabia, colocar-se no lugar dos aprendizes, lembrar-se de que, se não compreendem, não é por falta de vontade, mas porque o que é evidente para o especialista parece opaco e arbitrário para os aprendizes”.


Comecei a exemplificar para facilitar o entendimento acerca da palavra galinha, enquanto código quando podemos nos referir aos aspectos da consciência fonológica ou transposições fonéticas, com as belezas das falas regionais, ou ainda, esmiuçar a quantidade de letras e fonemas, sobre ainda aspectos sintáticos – referentes à forma – que estruturam a frase valorizando a clareza das idéias etc. Aos exemplos de representação, primeiro a clareza da concepção da galinha enquanto significante. Ela é um ser vivo, um animal, uma ave... bota ovos, tem penas e asas etc. Pode haver crianças que nunca viram uma e aquilo que nos é óbvio deixa de ser para essa criança que mora no décimo quarto andar de um edifício, sem quintal, ligada no mundo das mídias, come frango e não galinha cabidela. Quanto ao significado a galinha pode ser a “galinha dos ovos de ouro; a galinha ruiva; a galinha do vizinho; a galinha da minha vovó que chocou tantos pintinhos; eu vi meu avô matando uma galinha para comer e fiquei chocada; galinha ao molho pardo ou no tucupi; sua irmã é uma galinha; aquele menino é um galinha etc.”. Quantas palavramundos sobressaem à palavra do ditado ou da cópia, articulam-se ao contexto de simples frases ou emergem nas histórias clássicas das fadas e companhias? Quanta diversidade tem as palavras e em suas intensas semânticas!


A leitura da palavra é a leitura de meu mundo, o professor se põe a aprender com o aluno e a viver suas experiências e a dignificá-las no coletivo. A riqueza das trocas está no saber aprender e integrar o mundo da cultura ao mundo da ciência e vice-versa, o mundo de quem FALA e daquele que ESCUTA, quantas vozes permeiam e ali percebem-se em construção pelos sujeitos autores.


O óbvio é surpreendente. Ao nos colocar ouvindo aprendemos a palavra humildade-humanidade e assim aprendemos a aprender com o Outro. Segundo Morin (2003), todo conhecimento é tradução, reconstrução e inclui a interpretação do aprendiz. Basta saber ouvir. Basta re-olhar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Selinhos, mimos e coisas e tais


Este selinho recebi da Tati Martins, vale a pena visitar: http://tatianemomartins.blogspot.com/, e aprender a ser desdobrável como ela.
As regras:

1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;
2 - Copiar o questionário e responder a ele;
3 - Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre isso.

O questionário:

1. MANIA: de acordar de manhã e dizer “bom dia, sol!”, estou feliz por mais esse dia, mesmo que esteja chovendo, muito raro pelas manhãs belemenses.
2. PECADO CAPITAL: a temperança que se opõe a gula, exercício do autocontrole, que muitas vezes me leva às lágrimas, pois, a emoção está sempre à flor da pele e me faz sentir humanamente frágil, dependendo do momento é surpreendente.
3. MELHOR CHEIRO DO MUNDO: o cheiro da chuva na boa reserva de mata atlântica da serra do mar “Curitiba-Paranaguá” toda coberta de neblina.
4. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA EU FARIA: uma creche para crianças em lugar que mais necessitasse junto com a comunidade local, para cuidarmos do patrimônio imaterial da humanidade: as crianças deste milênio, e lá teríamos tudo o que se tem de direito só para provar que com amor se faz tudo. Ser manso de coração e de atitude humana é digno de quem é educador-aprendente e busca sempre o diálogo como forma de rever posturas e ajudar nas aprendências da vida, sem ambição desmedida, muito mais pela cidadania maior aos que estão vivendo a cidadania menor nas contingências da vida.
5. CASOS DE INFÂNCIA: eu queria ler todos os livros, viajar pelos lugares com as asas da imaginação, ter bastante amizade para brincar, sorrir e fazer o bem sem olhar a quem... Ah! Quero pedir licença a Tatiana Belinky e repetir uma passagem brilhante a nos “dizer” em entrevista: “Uma vez, a dona Benta contou uma história cuja moral era ‘fazer o bem sem olhar a quem’. Daí a Emília discordou: ‘para os maus, pau!’. Que me desculpe a Capitu (personagem do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis), mas a Emília é a mulher mais inteligente do Brasil! E, além de tudo, é mágica!”. Eu queria ser mágica. Qual criança não quer?
6. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: gosto de cuidar das roupas da família com muito carinho, a sentir o cheiro de cada um, seus sonhos, seus desejos, suas esperanças por um mundo melhor e mais humano a todos.
7. O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA: passar roupa em tempo de muito calor, coisa costumeira aqui, daí me lembro quando passava roupa no frio e me aquecia. Boas saudades!
8. DESABILIDADES COMO DONA DE CASA: Re-Limpar o que acabei de limpar! Irrita qualquer um, mas, como acontece. Lembro-me que passava cera no assoalho de casa e meu irmão chegava com a bicicleta sem olhar por onde andava...
9. FRASE: Está no meu lema aqui no blog. Veja lá em cima.
10. PASSEIO PARA ALMA: ir ao centro espírita, ler livros e amar meu esposo.
11. PASSEIO PARA O CORPO: viajar com a família e sorrir com a vida.
12. O QUE ME IRRITA: falta de compaixão, a mediocridade e o estrelismo.
13. FRASE OU PALAVRA QUE FALA MUITO: "Ser perseverante e aprender a ser resiliente".
14. PALAVRÃO MAIS USADO: inexplicável ou irreconhecível
15. DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO: percebo que preciso aprender a subir o morro com os pés descalços e a olhar para o céu...
16. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: o que inebria, acalma e adormece...
17. ELOGIO FAVORITO: qualquer que venha da alma, do coração, do olhar claro...
18. TALENTO OCULTO: bom motivo para redescobrir-se...
19. NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: a mini-saia, não combina comigo.
20. QUERIA TER NASCIDO SABENDO: talento para música e ser poliglota
21. EU SOU EXTREMAMENTE: observadora, sensível, humana e feliz com a vida por ter encontrado a pessoa que amo há trinta e três anos... Por ele aqui estou em Belém, deixei o Paraná para acompanhá-lo e lá ficou uma bela história, nela a nossa história, a caminhada inicial e a dois, pretendemos voltar, “eu sei que ainda vou voltar para o meu lugar...”.

Agora o selo "A dona deste blog é uma fofa" vai para as seguintes colegas blogueiras:

1. Adrianne Guedes,
mevitevendo, a blogueira que traz o livro da infância e nos faz abrir, sorrir e admirar, somos co-seguidoras...
2. Patricia Dias, em
infância, literatura e arte, blogueira aprendiz apaixonada pela leitura;
3. Noah Chiavenato, em
vivendo a pedagogia, a ex-aluna mais apaixonada por blog;
4. Áurea Albuquerque, em
http://tutoriademidias.wordpress.com/, a tutora do curso de mídias na educação, por ter retornado às funções e contribuir com os alunos de Bragança (PA);
5. Helioneth, em
http://helionethlisboa.blogspot.com/, professora do laboratório de informática que bem sabe lidar com o seu cotidiano pelas boas postagens;
6. Vou quebrar a regra do clube da Luluzinha e indicar o coordenador do Curso de Mídias na Educação – Pará, que vem se esforçando para manter todos seus alunos no Curso, através dos prazos dilatados e pelas postagens animadoras, Marcelo Carvalho, em
http://midiasnaeducacaopara.blogspot.com/;
7. A professora Daniela Torres, apaixonada por biologia - pela Vida, em
http://lelaorca.blogspot.com/; por sua espiritualidade, boa articulação e amplas visitas em seu blog, quando tem prazer em apresentar ao mundo blogueiro as escolas públicas locais.