sábado, 25 de maio de 2013

Comentários Anônimos Ofensivos

Constituição Federal de 1988
Art. 5° Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
(...)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
Opiniões são respeitadas desde que o comentário tenha nome e sobrenome. O blog quer trocar experiências, discutir ideias sobre educação, e não agressões. É muito fácil ao covarde agredir, acusar ou denegrir esta educadora e se esconder no anonimato. Pior ainda em se tratando de um educador, bastante ignorante em sua política, o que entende de educação? só de assédio, é o que parece.


Acusar sem provas e agredir são crimes previstos na Lei. Comentar em computadores públicos é outra covardia, mas, uma hora ou outra o IP de onde acessa irá te acusar. E nós te pegamos, cuidado!

Como blogueiros temos a opção de aceitar ou não comentários anônimos, a fim de tornar o espaço interativo, sem preconceito. Mas, o tipo de comentários ofensivos no anonimato não se pode tolerar. Podemos moderar. Mas, para que dar asas para uma pessoa doente como tu!

Fique em paz, se a tua consciência assim o permitir. Estou bem e muito feliz, meu querido! Para enriquecer o bom debate que tal, Chico Xavier, por aqui: "Se as críticas a você são verdadeiras, não reclame: se não são, não ligue para elas". Por este motivo deixei você livre por mais de três anos, mas, cansei de encher a tua bola. Se declare, querido anônimo, um dia você se cansa de me perseguir. Dá até para desconfiar, né? O que tu queres, meu bem? Chega de dar espaço para as tuas loucuras, de publicar teus comentários como isca. A tecnologia avança, assim como os modos de rastreamento!

Esta é uma forma mais humana e solidária de te reeducar. Tudo poderia continuar no silêncio. Afinal, somos educadores e como Orientadora Educacional e Psicopedagoga escolhi esta opção, por enquanto. Fique em paz!

domingo, 19 de maio de 2013

Orientador Educacional: uma profissão em extinção?

Uma das funções da pedagogia que mais me identifiquei foi a da "Orientação Educacional", embora tenha cursado Administração Escolar, entre 88 e 90, no Paraná. Cursei no Pará, a Orientação Educacional e depois a Psicopedagogia.
A "Federação Nacional dos Orientadores Educacionais" (FENOE) foi extinta em meados da década de 90. Os conhecimentos que fundamentam a prática interdisciplinar do orientador educacional entrecruza os saberes de Psicologia, Sociologia, História da Educação, e outros como Antropologia, Ciências Políticas, Metodologia e a Pesquisa como abordagem qualitativa.

Falo de extinção nos cursos de Pedagogia desta função pedagógica importante por ter ficado em aberto a formação profissional do orientador, pelas palavras publicadas na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), que em seu artigo 64, orienta/induz:


"A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feira em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional".

Ou seja, deixa a critério das instituições que, na maioria, relegam para a pós-graduação tal demanda, se houver... As escolas precisam desta função pedagógica e a nossa faz acontecer através das intervenções que urge na comunidade escolar.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura, aprovado em 13/12/2005, e a Resolução CNE/CP n.1, de 15/05/2006, reduzem a "orientação educacional" à área de serviços e apoio escolar. Contraditoriamente, o artigo 5° de ambos, mencionam que "o egresso do curso de pedagogia deverá estar apto..." para uma série de ações/intervenções, e que a gente na prática verifica que nossos colegas não foram formados para atuar, e nos angustia diante do projeto da escola que clama por essas competências/habilidades, que no caso as orientações legais apontam para a necessidade de um trabalho integrado com outros profissionais da educação ou parceiros institucionais como o psicólogo e o assistente social. Antes éramos formados por dois anos e dali saíamos como Pedagogos/Orientadores Educacionais ou Pedagogos/Administradores Escolares ou Supervisores Escolares. Para cursarmos a Pedagogia inteira levávamos em média 6 anos.

Como poderemos cumprir como egressos, sem a formação específica, com o que esses importantes documentos prescrevem no artigo 5°...


II compreender, cuidar e educar crianças de zero a cinco anos, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica, intelectual, social;
VII promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade;
XIV realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares; sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-ecológicos; sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas.

Cheguei a orientar um TCC que traz esse questionamento (O papel do orientador educacional na escola, 2007). Após a LDB 9394/96, se dá mais ênfase à gestão escolar e pouco se estuda/discute sobre as dificuldades de aprendizagem ou inclusão/adaptação escolar, que atualmente necessitam de pesquisa pedagógica, na área da orientação educacional.

Apresento alguns flashes que aconteceram nas últimas quinta-feira e sexta-feira, em nossa escola, através da abordagem da "Orientação Educacional", sendo o orientador educacional, na pessoa do Professor Elias Gomes, da Fundação Escola Bosque, como ponte entre estudantes, educadores - que inclui na nossa concepção todos os funcionários da escola, pais ou responsáveis do alunado.











terça-feira, 19 de março de 2013

Ler e aprender com a criança: histórias das interações e mediações da palavra


Como professora eu preciso de uma avaliação diagnóstica para pensar num programa de ensino e de meus estudos cujo princípio necessita da hesitação, da pausa, da dúvida, do olhar no ar, da mão que encobre a palavra e deixa visível, sem querer, o movimento do lápis que nos faz ler a palavra sobre suas mãos, o sorriso escorregadio e o apelo de aprovação ou da dica de qual a letra ou o fonema, mesmo que seja só o movimento de sua emissão... e vem a gente dizer tenta de novo, fale a palavra, pense na primeira letra e na última, mas, se está lendo a palavra dizemos quantas letras tem, quantos sons possui, qual a primeira e a última, quantas vogais têm e a lógica ajuda a repensar a palavra, a buscar combinações de seu repertório, abandonar a estratégia de dizer qualquer letra ou som em busca de nossa afirmação sem contar com a sua própria certeza... afinal, porque quer a nossa aprovação, algumas letras e sons se confundem, as complexas palavramundos dos textos musicados, poetados, contados, informativos e que são homófonas (de igual pronúncia, grafia e significado diferente), homógrafas (de pronúncia e significado diferentes e mesma grafia) , parônimas (grafia e pronúncia “parecidas” e de significados diferentes), homônimas (significados diferentes, mas, de “mesma” pronúncia e grafia)... Será que teme o erro? O que já sabe sobre escrever errado? E lá vamos juntos tentar entender porque são tão parecidas, de posse do conhecimento da língua vamos interagindo com o nosso tal português.

Afora adentrar no mundo das imagens, das lembranças, dos movimentos, da dinâmica da vida, das emoções e sentimentos, dos símbolos, dos recursos visuais tão múltiplos e encantadores como as palavras e seus significados e sentidos no contexto... e que viagem, meus queridos amigos, já passamos e estamos passando na escola com nossos coleguinhas, é são mesmo muitas aprendências novas, e o papo vai longe por vezes e lá vem um nova palavra compor essa aventura de aprender a ler e que tem o poder de nos reviver, de nos enviesar... coisas a torto e a direito que nos recompõe mais parceiros das letras nas palavras e seus tantos mais dizeres e modos de usá-las nesse mundão aí, lá em casa, afora de nós e por dentro que nos espezinha e poeta também, afinal, ninguém é de ferro.
E quem quiser que conte outra, me dá licença agora que estou louquinha para voltar a interagir com as nossas crianças lá da nossa escola. Beijinhos mil e bye, bye, ao astral mil de bom.
Múltiplas linguagens. É a vida na escola. Obrigado, crianças!

domingo, 17 de março de 2013

Escrita da vida

ASSUNTOS DO VENTO... e melhor assim com Mil-tons "Com o coração aberto em vento. Por toda a eternidade. Com o coração doendo. De tanta felicidade. Coração, coração, coração. Coração, coração... ".

FOLHA CORAÇÃO, a educação para mim é isso, papel e lápis de folhas, de árvores, de vida! Precisamos saber escrever nela a nossa história, marcada de alegrias de tantas mãos que escrevem, olhos que espiam o mundo e pensamentos que se registram nas folhas da vida, carregadinhas de nós.

domingo, 3 de março de 2013

Escolha da Palavra: o rio é rua, a ilha é o Paraíso

Aprendo com leituras e por aqui reaprendo a "palavramundo" das crianças da Ilha de Mosqueiro, alunado advindo de 13 localidades. Repenso a palavra e o contexto junto com os educadores de lá, porque “cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma razão local, convivendo dialeticamente” (Santos, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção, Ed. Hucitec, 1996, p. 273). Essa população é urbano-ribeirinha-extrativista, exige-nos atenção ao discurso, importante escolha da palavra, conforme Paulo Freire, afinal, a palavra é um "signo social ideológico" (Bakhtin - Marxismo e filosofia da linguagem, 2004).

Amanheci com as histórias do povo daqui, aclimatada pelo inverno típico de Belém. Um sonhar acordado de olhos amanhecidos. Hum! ...a vida é sonho (La Barca, 2007) e tudo se mistura, e aí é preciso manter o caráter enigmático do sonho, segundo Benjamin (1984), por isso vou seguindo entre enigmas e aprendências.

Redescubro Mosqueiro nas matutinas idas pedagógicas para lá e enriquecida com o tempo das aprendizagens de lá venho da nossa Escola a Belém.

Chego às "palavramundo" de Paes Loureiro (Cultura amazônica: uma poética do imaginário, Ed. Cejup, 1991), no vai e vem das ondas da Praia do Paraíso, e entremeio aos barcos e à mata ciliar ecoam as palavras dessas águas pardas, por lá reli que os rios “escondem embarcações encantadas na manga de sua casaca de lendas, devora cidades, alimenta populações, guarda em suas profundezas ricas encantarias habitadas pelos Botos, Uiaras, Anhangás, Boiúnas, Cobra Honorato”.

E a música de Ruy Barata e Paulo André, vai nos reencantando no cenário da escola e no chão de assentamentos ou ocupações...

ESSE RIO É MINHA RUA

Esse rio é minha rua / Minha e tua, mururé/ Piso no peito da lua / Deito no chão da maré / Pois é, pois é.../ Eu não sou de igarapé / Quem montou na cobra grande / Não se escancha em poraqué / Rio abaixo, rio acima / Minha sina cana é / Só em pensar na mardita / Me alembrei de Abaeté / Pois é, pois é... / Eu não sou de igarapé / Quem montou na cobra grande/ Não se escancha em poraqué / Arresponde boto preto / Quem te deu esse piché / Foi limo de maresia / Ou inhaca de mulher? / Pois é, pois é... / Eu não sou de igarapé / Quem montou na cobra grande / Não se escancha em puraqué.