O que conecta o sentimento do Natal há tantos séculos? O que faz a magia desta data?
O Natal lembra o enigma dos rituais que ocorrem em cada troca de estação, prenúncios de verão. A luz do Sol energiza o potencial dos seres naturais. Natal, natalício, vida nova a renovar espécies.
Os napônicos são lá do norte da Europa e como todo povo indígena do mundo inteiro tem direito de manter e desenvolver a sua própria língua. A mudança de estação é muito esperada para quem por lá vive um clima de longo inverno e impiedoso por quase 200 dias anuais, abaixo de zero, alguns dias 30C negativos ou mais. Para eles o Sol tem significado muito especial. Algo sagrado. Mágico. Grávido de esperanças.
Natal. Sol. Vida nova. Claridade. Sementes. Plantios. Regas. Flores. Cultivo de paz. Fraternidade. Esperanças.
Por lá o Sol da Meia- Noite, a Aurora Boreal, fenômenos naturais fazem sentir a Terra tocar o Universo.
Sauna é palavra incorporada ao ritual indígena dos povos sami ou napônico. Purificação dos corpos vinculada com o calendário agrário e folclórico. Casamentos e Colheitas. Fertilidade. Sauna, Sol, Suor, Alegria. Novo natalício. Purificação. Longevidade. Na Lapônia, a sauna finlandesa, assegura ao Pai Natal tamanha longevidade.
Do banho de sauna ao banho de Sol. É dezembro.
Tempo sagrado e consolidado pelos índios de lá. Milênios. De onde vem o espírito natalino. Para eles: “o Natal é a melhor festa, e o pobre é o melhor convidado”.
O ritual começa com o pôr do Sol do dia 24 de dezembro, a interminável noite hibernal vai se despedindo e a boa estação não está mais longe. As crianças oferecem arroz e leite para as renas e pensam no presente. Dias mais alegres. Férteis. Cheios de Luz. Por quê? Ora, lá vem o SOL...
Há quase 80 anos, um programa de rádio infantil de lá afirmou que o Papai Noel vivia na montanha dos arredores de Romaniemi, no Estado da Lapônia, situada no círculo polar, no topo da Terra. Espalhou-se por toda a Terra e milhares de cartas por dia e do mundo inteiro chegavam no posto de Correios daquele país. Anualmente, as tantas gentes correm para receber as benções esperadas pela reputação, ou melhor, oferenda de seus comportamentos exemplares.
A Literatura Infantil nos presentifica a versão de Hans Christian Andersen, do Sol, do calor humano bastante esperado pela “Pequena Vendedora de Fósforos”, em tempos de muito frio e solidão no meio das gentes tão ocupadas em final de ano. Atarefadas. Extasiadas. Ela passa invisível. E sonha. Imagina. Feliz e aquecida. Ao estilo de Andersen. Infância pobre como a sua. Rica em Imaginação.
No Brasil de Monteiro Lobato, na década de 1920, já se falava de um natal regional, políticos nacionalistas, recriaram o “Vovô Índio” lobatiano, ressignificando a versão do Pai Natal, o folclore dos povos nórdicos, o milenar ritual indígena de lá. O vovô cafuzo, meio índio meio negro, por aqui fazia brinquedos de madeira, artefatos construídos a serem entregues no Natal ou Dia de Reis. Brinquedos rústicos contrapondo-se ao industrializados, aos importados.
Nos tempos atuais, os Correios por aqui assimilaram a tarefa de receber cartinhas de milhares e milhares de crianças. E os adultos se mobilizam para atender o espírito natalino que une as pessoas revisitando rituais e desejando as benções do Menino Jesus. Nova vida. Vida nova.
E assim, diante do sentimento que nos atravessa, desejo a todos Feliz Natal!
Que todas esperanças e sonhos possam se realizar dessa promessa de felicidade que nos fazemos e a outros. Desejos infinitos de que possamos fazer as gentes daqui ou de outros lugares mais felizes. E a nossa oferenda? O que fizemos de bom para merecer apreços?
Em terra tupiniquim de papagaios, araras, preguiças, peixes-bois e antas, temos Sol o ano inteiro, como aqui no Norte, cujo inverno beira no máximo a 18C. Talvez alguns dos brasileiros precisem, sem tanto marketing, rever conceito de dignidade, amizade, respeito e uma ficha mais limpa... 2011 será melhor!!
Imagem 2: http://encantamentosdaliteratura.blogspot.com/2010/04/pequena-vendedora-de-fosforos-curta.html



