quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Natal: desenhos e histórias de crianças

José Saramago escreve sobre o imaginário das crianças acerca do Natal, cuja motivação é regida pela professora delas, mas, que surpreende a todos. 


"Um dia uma Professora teve uma ideia de Professora e mandou os seus alunos que fizessem uma composição plástica sobre o Natal. Claro está que não empregou esta linguagem, o que disse foi: “Façam um desenho sobre o Natal. Usem lápis de cores, ou aquarelas, ou papel de lustro, o que quiserem. E tragam na segunda-feira”. Uns com lápis, outros com aquarelas, outros com papel recortado, alguns pintando com os dedos, todos cumpriram o melhor que puderam.

Apareceu tudo quanto é costume nestes casos: o presépio, os reis magos, os pastores, São José, a Virgem e, inevitavelmente, o Menino Jesus. Bem feitos uns, mal feitos outros, toscos ou esmerados, os desenhos caíram na segunda-feira em cima da secretária da Professora. Ali mesmo ela os viu e lhes pôs nota. Ia marcando “bom”, “mau”, “suficiente”, como se com esses juízos os marcasse para a eternidade. De repente. Ah, quantas vezes ainda teremos de dizer que é preciso muito cuidado com as crianças! A Professora segura um desenho nas mãos, um desenho que não é melhor nem pior que os outros. Mas ela tem os olhos fixos, está confusa, perturbada: o desenho mostra a invariável manjedoura, a vaca e o burrinho, e toda a restante figuração. Sobre esta cena já sem mistério cai a neve, e esta neve é preta. Por quê?

“Por quê?”, pergunta a Professora à Menina que fez o desenho. A Menina não responde. Talvez mais nervosa do que quereria mostrar, a Professora insiste. Há na sala os risos cruéis e os murmúrios de troça que sempre aparecem em ocasiões destas. A Menina está de pé, muito séria, um pouco trêmula. E responde, por fim: “Pintei a neve preta porque foi nesse Natal que a minha mãe morreu”. Fez-se silêncio e a Professora pensou, assim o veio a contar mais tarde: “À Lua já chegamos, mas quando e como conseguiremos chegar ao espírito duma criança que pintou a neve preta porque a mãe lhe morreu?”.

NEVE PRETA, um história de Natal.
José Saramago, Deste Mundo e do Outro, 1971.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Presença das estrelas: consoantes e vogais da vida

O silêncio é memória viva. O que calo. O que falo. O que há de silêncio em mim. O que há de silêncio no outro. O que se combina no silêncio. (In)Coerência situada. No olhar, na costa, na beira, na distância, na brecha, nos intervalos, na ausência, na falta. O que ouço. O que grito. O que não ouso falar. Adormeço. Esqueço. Não lembro. O que ignoro. Não percebo. Nem desconfio. Cismo. Sino. Busco. Abro mão. Enclausuro. Rubro. Enraiveço. Silencio. Guardo. Me esqueço. Misturo. Transpasso. E sorrio. Sou cúmplice. Até sem saber. Sou Debret. No espelho de sua observação. Sou Monet. No pontilhismo. Sou Van Gogh. No vigor do impressionismo. Adiante. Na grita do fauvismo. Como Carlitos. Flutuo na graça. Antropofagias. Sou mulher. Revivo e Transformo. Condição Feminina. Sou mãe. Sou avó. Enamoro. Reconheço certos silêncios. No melhor ou pior. Indigno-me. Ilha e Continente. Densidade. Singeleza. Reinvento. Reedito o sorriso. Sobrevivo. Marcadores múltiplos. Digitais vividas, percebidas, concebidas. Apagadas ou desgastadas. Óbvias ou inconscientes. A beleza. Inebria. O amor. Nos envolve. A caridade. Nos move. A fraternidade. Nos liga. A vida. Nos responsabiliza. O afeto. Nos une. O silêncio nos pluraliza. Algo singular. A ferida grita. A fera acorda. A cura nos democratiza. Pulsão. Polidez. Arte de viver. Acordados. Adormecidos. Vivos na memória. Despertados. Revolução. Silenciosa ou Amorosa. Religação. Transformação. Ser feliz. Sê feliz. Amorosidade. É a condição feminina. Condição animada. Citadina. Marcadores relacionais. Intuitivos. Projetivos. Resilientes. Existo. Sinto. Novos silêncios. Velares. Consoantes. Prossigo. É o caminhar. Ah! as vogais da vida.


“Se as coisas são inatingíveis...ora/ Não é motivo para não querê-las.../ Que tristes os caminhos, se não fora/ A mágica presença das estrelas”. Mario Quintana, em Das utopias (1951).

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Entre o jogo e o símbolo: a inteligência da criança de 3 anos

"OLHA VOVÓ, É O CAPITÃO GANCHOOOO! Eu sou Peter Paaaan". Hem? Kkkkkk  Uma bela surpresa.  Estava eu, como vovó, ocupada com pesquisa nesse instante. E não pude deixar de me espantar e rir com ela, que sem entender riu mais ainda, toda feliz a empunhar o cortador de papel, feito um tucano de madeira. e voltou a me repetir: "é o capitão gancho, vovó". Assume o papel dos dois personagens das histórias. Hora um. Hora outro.

É a importante marca da composição humana e relevância do jogo simbólico para o desenvolvimento da criança. É a linha divisória que distingue o ser humano dos demais animais. O que adianta essa fase infantil é a relação entre conto, livros e brinquedos. A memória e a imaginação se fazem presente no cotidiano. O que antecipa esse registro no olhar é a abstração que se materializa nas representações espontâneas.


Esta associação da menina Sofia, em seus 3 anos e 11 dias, dista exatos 4 dias da leitura, feita com o seu vovô, sobre a história de Peter Pan, um dos livros que compõe a sua bebeteca, e que manuseia desde antes do seu primeiro ano de vida. Para nós professores de educação infantil, esse registro nos vale como estudo para entender a fase dos 2 aos 7 anos, que nos dão sinais da inteligência da criança, segundo Piaget. É a criança na fase inicial da escrita, período da compreensão do símbolo. São os letramentos da vida, um mundo grafocêntrico.



O cortador de papel e a espada do Capitão Gancho. Interessante perceber que personagens como a bruxa, o lobo mau e esse do marujo exercem sobre as crianças. Coisa da psique e seus medos fascinantes.

Nessa etapa, dos 2 aos 7 anos, as crianças passam a representar suas ações, situações e os fatos de sua vida vão se manifestando por meio da construção da imagem mental, imitação diferida, jogo simbólico, linguagem, desenho (condutas de representação) e a linguagem oral. O gostoso disso é que eu, como vovó, consigo fazer essa relação com meus estudos e práticas com crianças de educação infantil. Agora mais presente no cotidiano integral de uma delas. Vivi mais afastada pelo exercício dos turnos integrais de professora na história de duas meninas que estão com seus trinta e poucos anos. A gente fica com outras crianças que nos enriquecem em sabedoria. Com as filhas, havia qualidade e cumplicidade no tempo dos contatos familiares, mas, sabemos que a quantidade dos dias enriquecem toda essa práxis. Tudo é uma delícia!!  Só tenho a agradecer a Deus por mais essa oportunidade.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Não somos poeira, somos magia...

“NÃO SOMOS POEIRA, SOMOS MAGIA”. Richard Bach, in: A ponte para o sempre, prefácio.


De presentes, ou melhor ainda - de gratidão, estou sabedora ultimamente... Aproveito o tempo que Deus me deu para cuidar da minha amada mãe e de mim mesma, já sem ela. Tempo concedido de licenças prêmio e a especial para cuidar de Dona Yonne Rodi, ao final do ano passado até meados do semestre anterior. Assim tenho me dedicado à família, aos estudos e às leituras importantes para meu desenvolvimento como pessoa, falo assim pelos estudos adensados e exaustivos antes dedicados ao aperfeiçoamento da profissão, com noites que se misturavam aos dias. Hoje entendo ainda mais que preciso cuidar das alegrias que fazem tão bem a gente.

Com admiração ao que Cristo nos ensinou: "Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", se a gente não se ama, não se cuida, como vamos amar ao outro? Somos um só em Deus. Adoro minha profissão e a maioria sabe o quanto estudei para ser uma professora e orientadora educacional... bem de fato, só sei que nada sei, que tal esse sofisma - diante dos conceitos de ironia e método socráticos? afinal, a minha sabedoria é limitada à minha ignorância, e essa célebre frase de Sócrates e seus conceitos se encaixam bem, entretanto, o pouco que sei, devo a muita gente, e em especial aos meus alunos e às alunas que tanto me instigavam a saber, a aprender junto. Sem esquecer da infinita gratidão a@s querid@s mestres.

Quero dizer que pretendo sim me aposentar logo, que é para poder voltar para minha terra natal, afinal, o voo de ideias é tão real quanto o voo de ventos e penas. E como é bom sonhar, também. Nos mantém vivos. Entendo que educar não é propriamente impossível, na visão de Freud, mas sempre algo incompleto, a caminho, insuficiente. Quem gosta de aprender sabe vivenciar esta "angústia" de estar sempre a caminho, andando, sem chegar, porque não há aonde chegar... se não por amor.

Gratidão a tod@s, sempre!

Fenômeno da natureza e a lógica das crianças: relações risonhas

De comum por estas bandas belemenses, ou outros cantos do Pará, são os fogos de artifício nas manhãzinhas e finais de tardes, nos dias que antecedem ao Círio de Nazaré, que acontece no segundo domingo de outubro.

Pois bem, este ano percebemos Sofia, a um mês de seu terceiro aniversário, a fazer relações de seus saberes às coisas do meio, ela me acorre a dizer: "Vovó, as nuvens estão brigando entre si, batendo uma na outra, e soltando muitos trAvão e raios, ai meu Deus".


Como podemos ter uma educação não-ambiental se desde o dia do nosso nascimento até o dia de nossa morte vivemos em um ambiente? (...) A única maneira de se entender o conceito de natureza na teoria educacional é por meio de sua ausência. (...) Tudo se passa como se fôssemos educados e educássemos fora de um ambiente. (GRUN, Mauro. A outridade da natureza na educação ambiental. ANPEd, 2003, p. 2-3).

sábado, 27 de setembro de 2014

HÁBITO DE LEITURA e FONTE DE PRAZER: entre escolhas da criança


... afinal, “para ler é preciso gostar de ler”... [Laura Sandroni. A criança e o livro. Ed. Ática, 1987]. A considerar como relevante “o fato da leitura ligar-se muito intimamente ao projeto educacional e à própria existência do indivíduo” [Ezequiel Teodoro da Silva. Ler é, antes de tudo, compreender, In: O ato de ler. Ed. Cortez 1981, p. 45].

Bons fundamentos para nós aprendentes, como alun@s ou educadores nas instituições de ensino.
Mas, como vovô ou mamãe ou amiga, fico feliz demais em perceber a liberdade e ao criar ou reinventar espaços de escolhas, apesar do risco que a internet apresenta e de cuidados a nós exigidos nos mais diferentes casos.

Minha netinha, Sofia, desde seus oito meses, ficava frente às suas escolhas. Essa autonomia que mesmo exige ou insiste solicitar como direitos adquiridos - de escolher. Aprende a observar os próprios limites, com respeito ou afeto pelo outro. 
Lindo é vê-la em cada situação, conflitante ou de simples prazer, recorrer à sua bebeteca e pegar livro relacionado ao vivido/percebido, temas sobre: o vento, o pai ausente/inexistente, as lacunas, o não saber expressar ou comunicar, a substituição, o vínculo, a compensação, o símbolo, a dor, a pediatra, a brincadeira, os passeios, as paisagens que se relacionam, o cultural, o clima, o plantio, a fábula, o mito, o riso, o choro, as tantas outras emoções ou sentimentos e à sua corporeidade... vistos e sentidos nas mais diversas personagens ou outros fatos do cotidiano. Por vezes, escolhe livros da vovó, não se importando se têm muitas letras. Quer que eu leia e fala: "vamos brincar com as letras".

O brinquedo é a linguagem da criança. Ler é assim.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Meu barco...

Nada novo, só meu jeito de caminhar...
Foto de Aleksandar Sasa Kordic, em Koton, Montenegro.


"Pois também não é uma consequência da teoria de Darwin o fato de fazermos parte de algo maior, de um todo para o qual tudo é importante, até a menor forma de vida? Somos um planeta vivo, Sofia! Somos um grande barco navegando ao redor de um sol incandescente no universo. Mas cada um de nós é um barco em si mesmo, um barco carregado de genes navegando pela vida. Se conseguirmos levar esta carga ao porto mais próximo, nossa vida não terá sido em vão".


GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. Trad. João Azenha Jr. São Paulo: Cia. das Letras, 1998. [Cap. 30: Darwinp. 430-455].

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Perder a mãe, quem está preparado?



Mudei minha vida, vamos lá penso que uns quase 270°, para poder estar em Paranaguá e morarmos todos juntos de novo. Quando fomos embora daqui, em 1991, ela já morava conosco, pois, fazia apenas dois anos que meu pai falecera. Durante nossos 23 anos em Belém, mamãe viajou muitas vezes, em média, um ano e meio passava conosco e outro tanto com meu irmão aqui em Paranaguá. Nesse ir e vir ficou conosco em Belém por 11 anos. E gostava de Belém. De início andava até sozinha de ônibus, enquanto eu trabalhava e as meninas estudavam. Não se aquietava. Da Pedreira ia lá para Presidente Vargas e as Ruas do Comércio a escarafunchar tudo. E voltava para preparar o nosso café como tanto gostava de fazer. E como andava ligeirinho. Quando fomos morar lá pelas bandas do Bairro Batista Campos, na Rua Apinagés, já adorava ficar na Praça Batista Campos, arrumava gente pra conversar nos bancos da praça e a tomar água de coco, ir ao Shopping ou na Igreja Santo Antônio de Lisboa. E como ríamos com ela. E tudo a pé, como preferia essa velhinha andarilha. Depois, nos mudamos bem próximo da Doca, no bairro do Umarizal, e o Supermercado Líder era o seu motivo de sair de casa, ou ficar na Praça bem de esquina da Doca de Souza Franco, a apreciar o intenso movimento da avenida em dias de festas, a Igreja era a de Nossa Senhora de Fátima e desde a época da Pedreira, que também ia na Igreja da Aparecida. E mais risadas tivemos por lá, em uma das casas da Vila Célia, entre a Rua Antônio Barreto e a Rua Diogo Móia.

Desde começo de 2013 minha mãe queria voltar para Belém. E nós viemos para Paranaguá perto do Carnaval e depois no mês de maio, e novamente em agosto. Minha mãe sentia dificuldades em se locomover. A distância era respeitosa demais: Pará – Paraná – Paranaguá. Eu sentia sua tristeza de querer passear pela Belém como sempre fazíamos. Aí olhei para as bandas daqui, tanto lugar bom para irmos juntas também. E as voltas do gira mundo chamavam-me para cá. Em agosto, decidi voltar pelo estado de saúde dela. Vamos rir para cá agora?

Ela vibrou com as possibilidades. Gente, como a vida muda, né? Mudança de cultura, de cotidiano, de trabalho... por ela e para ela. Valia a pena sim. Quantos amigos fizemos por lá nesses tantos anos, e com vínculos fortes de amizade. E os nossos daqui? Pois é, tudo mudou na Paranaguá de 1991. Cadê fulano, morreu, cada beltrano, aposentou... as ruas, as praças, os monumentos históricos, os bairros, a Paranaguá Histórica de quem morou desde que nasceu na Rua Dr. Leocádio; mudanças de culturas, mudanças na prefeitura. Triste ver, sob nosso olhar, uma Paranaguá tão mudada.

Mas, trouxemos Sofia e ela será nosso elo de re-ligação. Ei, mamãe, compramos nova casa e assim pensando em você. Sorria. Depois do carnaval, voltei a Belém para ajustes nas licenças e articular aposentadoria, após licença-prêmio, e volto e a mamãe adoece. E entra no Hospital.

E o mundo girou de volta. E lá está ela a nos sorrir e a nos lembrar dos inúmeros risos que nos envolvia em suas tantas histórias ou situações do cotidiano e a nos fazer esquecer dessa política tão sórdida de que participamos em cada eleição. Afinal, somos todos obrigados a votar, ou não pelo voto nulo ou branco, a contribuir de certa forma com o estado das coisas. A violência nos bate à porta, ou arranca a gente de casa e nos assola... Olho o Brasil e é como ver a Paranaguá depois de 23 anos. Pois é...

Saudades mamãe, quantas delas a nos fazer sorrir. Bom sonhar e vamos ver como iremos reconstruir nossos sonhos daqui por diante. Para onde vamos? Ainda estamos aqui na Paranaguá, de nossos avós e dos bisavós que escolheram morar no Brasil, vindos de Portugal, da Itália e da França. Chegamos no Brasil pelos DNAs do mundo todo, bem peregrinos.

É a vida, e é bonita, né, mamãe? Quem sabe consiga arrumar novos jeitos de rir ou sorrir simplesmente.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A utilização do letramento social no letramento escolar

Dedicatória



"Quem foi que disse que eu escrevo para as elites?
Quem foi que disse que eu escrevo para os bas-fond?
Eu escrevo para a Maria de Todo o Dia.
Eu escrevo para o João Cara de Pão.
Para você que está com este jornal na mão.
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia,
O resto não passa de crônica policial – social – política.
E os jornais sempre proclamam que “a situação é crítica”!

Mas eu escrevo é para o João e a Maria,

Que quase sempre sempre estão em situação crítica!

E por isso as minhas palavras são quotidianas como o pão nosso de casa dia
E a minha poesia é natural e simples como a água bebida na concha da mão".
[Quintana, Mario. Dedicatória, in: A cor do invisível, Globo, 1989, p. 26]


Escrevo sobre a práxis nossa de cada dia, a combinar saberes, conhecimento e didática.
Pois, "na realidade, os homens não são manipuláveis indefinidamente em qualquer direção, pois sempre existe um ponto limite, um limes no qual deixam de ser objetos e se transformam em sujeitos".
(Heller, Agnes. O quotidiano e a história. 1972, p.99).

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Até sete vezes?

"Blogueiros podem ser responsabilizados pelo conteúdo divulgado em seus blogs, incluindo comentários. Assim, não são publicados comentários que representem ofensa contra os direitos humanos (racistas, preconceituosos, homofóbicos, xenofóbicos, etc), que incitem a violência contra a mulher e a criança, que incentivem a medicalização ou anônimos". Colei aqui de um blog... concordo com o filtro, vida de blogueiro não é fácil! Meu blog está parado por ser fruto de aprendências, da práxis pedagógica. Logo logo aciono, escrevo sobre o que vivencio. O assédio moral existe, o filtro por vezes se faz necessário.

A falta de caráter de um educador que preferiu o anonimato para falar insanidades contra minha família, inclusive a debochar do falecimento de meu irmão, fez-me optar pelo filtro. Aprendeu? Pelo jeito ainda não, continuou a usar outros meios virtuais na tentativa de me atingir. Só se expõe. Pequenez imensa.

- Mas, o amor é magnânime!

"O Senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos" [At 2, 46-47]

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

30 de agosto de 1988: dia de luto e luta dos trabalhadores da educação

O que é estar em greve?
Lutar por direitos ou por privilégios?


Apesar da escoriação medir um centímetro de extensão, a dor foi profunda, aguda...
como medir a invasão na carne e na alma educadora?
Não ir para a escola ou deixar os alunos sem aula? Ou dar uma aula de cidadania, mostrar na práxis os significados e o sentido da escola cidadã, feita de educadores que defendem uma escola pública de qualidade em todos os sentidos; que batalham para que o aluno aprenda; que buscam entender as dificuldades de aprendizagem e a questão das diferenças que pode estar atrapalhando o desempenho do coração do estudante, ou seja, de seu corpo inteiro.


Quem diz que está de greve e fica no sofá da sala, dentre lençóis da cama ou entre embrulhos das compras, pode dizer que luta pela classe que representa? O que é o ônus e não somente o "bônus" da profissão? Deixar que o outro faça ou sofra as consequências sozinho? É preciso mostrar a cara na luta, ter assinatura e não ser somente um anônimo, que se acovarda ou se privilegia.

Dia de greve não é dia de folga. Também, é preciso contribuir com o Sindicato dos Professores, mês a mês, participar de reuniões agendadas ou outras formas requeridas, para que tenhamos sempre boa representação e com debate competente e ético.

Ser professora e orientadora educacional é estar na escola lutando contra o analfabetismo, as dificuldades de aprendizagem, valorizar a participação dos estudantes através de seus representantes de turma, ou a criação/mediação dos grêmios estudantis.


"Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes. Assim em cada lado a lua toda / Brilha, porque alta vive".
Ricardo Reis, segundo heterônomo criado por Fernando Pessoa, em 14-2-1933.
Referência
Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. Ed. Ática, 1994.

sábado, 3 de agosto de 2013

Crianças ou adultos como sujeitos de afetos e não objetos de ensinagens

Como acontece a fala e a escuta em sala de aula? Onde se situam o lugar e a posição das falas e das escutas? Quem são os sujeitos interlocutores nesses lugares, posições e tempo? Quando acontece a troca?


O mal-estar na escola tem diversas faces para serem olhadas e pensadas: é como se olhássemos um cubo, que tem seis faces, como sabemos, mas só podemos, de um determinado lugar, ver três faces, é necessário que nos desloquemos para que vejamos todas as faces” (OUTEIRAL, CEREZER, 2003, p.1).

Escutar é dar sentido ao espaço que cerca o aluno. Ouvir ditos e não ditos, produz-se, amplia-se e repete-se o afeto prazeroso e desprazeroso. Na repetição pode emergir o processo da criação. Na fala, a falta, a lacuna, o desejo ou o recuo. Escuta sensível mexe com afetos. A fala se reorienta no processo do ensino-aprendizagem. O saber do aluno e o conhecimento da forma apresentada pelo professor cooperam na compreensão do conteúdo exposto. A leitura ajuda a reler o dito e o não-dito, mexe com os significantes e o significado das relações. A pesquisa ajuda nas releituras do conteúdo, sob novos pontos de vistas e com isso facilita a formação de opinião, que pode afirmar ou negar o dito pelos não-ditos ou outros ditos.

A fala faz fazer operar na sua cadeia de palavras, o divórcio entre significante e significado e aí o sujeito do inconsciente emergirá nos tropeços da fala, nos atos falhados, nos chistes, nos sonhos etc. A fala, fala, mas esta é incompleta porque o sujeito falante sempre tem algo por dizer, a fala comporta um furo no dizer, um semidizer.

Uma lição a ser ressignificada, é preciso saber matar o mestre, aprendendo a falar, escutar e a tornar o mestre de si mesmo. Uma rede de sentidos, escutas, falas, faltas, afetos. A autoria acontece nesse movimento intenso de argumentação e contra-argumentação, de ensino, pesquisa e releituras.

Na escola com crianças menores de sete anos a gente aprende a ouvir como se aprende a ler o mundo através da palavra e sua rede de significados. A palavra loja revela o lugar de trânsito diário, da proximidade de moradia do colega, do ponto de referência que marca o início de uma rua, o lugar de compras, o sorriso dos encontros diários, os olhares desconfiados, os compassos furtivos, acenos de alegrias, o sonho de consumo, o endereço de brinquedos, e não somente a confusão fonêmica do "g" na consoante "j".

A fala e a escuta ocupam um lugar singular no modo de educar.

No lugar de avó fortaleci ainda mais a maneira de olhar a criança como sujeito de afetos, sem pressa para aprender sobre seus movimentos, gestos, falas e faltas e não no afã de que aprenda algo mas, que veja o belo em tudo que vê, onde aprenda a respeitar o outro, o diferente, o exótico. Compreendendo os sinais da ansiedade, do medo, da falta, da falha, da brecha e da indagação como importantes para motivar a busca, a reinvenção.

O que se cultiva em outros meios, como as pessoas de outros espaços, discursos, lugares ou tempos, aprendem com o seu meio e o que esse olhar múltiplo ajuda a gente a se refazer em nossas relações cotidianas e complexas?

Entram aí nesse contexto das aprendências, a palavra letramento e o desafio de se alfabetizar letrando. Questões bastante presentes em turmas das séries iniciais, de educação infantil ou salas de alfabetização de adultos onde aprendemos a nos apropriar do discurso escrito através da palavramundo*. E bem ali próximo do universo aprendente dos sujeitos de afetos, prazerosos ou não, provenientes de sedução, de relação transferencial, de situação ambivalente, de repressão ou frustração, sempre observadas nas relações com objetos de estudo e nos mais diferentes ambientes educativos de uma escola ou comunidade escolar envolvida.

No conjunto é preciso saber enlaçar educação, representação e afetos como escuta de interfaces a ser construída nas relações do processo educativo que acontece na escola ou na vida. Ensinantes e aprendentes, em seus papéis de escuta, fala e falta, trazem nos atos educativos seus afetos manifestos ou latentes que facilitam ou dificultam a troca de conhecimentos.

Nessas releituras, “vamos bordando a nossa vida, sem conhecer por inteiro o risco; representamos o nosso papel, sem conhecer por inteiro a peça. De vez em quando, voltamos a olhar para o bordado já feito e sob ele desvendamos o risco desconhecido” (SOARES, 1990, p. 25).

* palavramundo, é neologismo, criado por Freire (1982), para nomear os contatos iniciais do sujeito leitor do mundo em suas múltiplas dimensões, ou seja, por ser a leitura da palavra, para ele, sempre precedida da leitura de mundo.

Referências
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 13 ed. São Paulo: Cortez, 1982.
OUTEIRAL, José; CEREZER, Cleon. O mal-estar na escola. Rio de Janeiro: Revinter, 2003.
SOARES, Magda. Metamemória, memórias: travessia de uma educadora. São Paulo: Cortez, 1990.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Livro para morar

Livro para morar...
Estátua de Hans Christian Andersen servindo de moradia para crianças no Central Park, Nova Yorque.
Neste mundo virtualíssimo, o encanto continua, o livro ainda fascina crianças, os educadores reencantam-se, o conhecimento se difunde no mundo tecnológico, as inteligências se multiplicam nas redes e a vida se torna cada mais interdependente, sustentável, solidária. Pera aí... "E os poços de fantasia acabam sempre por secar e o contador de histórias, cansado tentou escapar como podia...", coisas de Alice no País das Maravilhas (Lewis Caroll).
"Eu sei que algo interessante sempre acontece...", e logo Alice encontra a lagarta azul, quase próxima da transformação.

Reencanta-se...

E sobre os livros onde crianças possam morar dentro, o mote de Monteiro Lobato, no começo do século passado? Que tal começarmos, na educação de nossas crianças, com uma bebeteca em casa? Pelo menos, por aqui, a gente acredita e a Dona Sofia faz a festa, dia-a-dia, com seus livros na estante, bem a seu alcance. Os livros estão entre seus brinquedos prediletos. Mas, ela entrou em crise dias desses, pois queria ali materializar o fato de entrar no livro, construiu um caminho com eles e, ao final da linha, largou o engatinhar, subiu no último, a pedir para nós: "abra, abra", e eu disse a ela brincando: "trouxeste a chave?", drummondiando. Olhou-me com aqueles olhinhos de quem tenta entender adultos pegos de surpresa... É, mas, são as crianças que têm as chaves dos saberes e dos encantos que reencantam adultos, ou são elas que despertam as nossas crianças escondidas. Não sei ao certo. Estamos mesmo bem conectadas, pessoas e crianças, e é só nos dispor a ouvi-las. Assim tenho pensado nesses últimos dias dos últimos dois anos com a pequena Sofia entre nós.
Hoje, crianças, jovens ou adultos vivem conectados, circulando ideias, movendo telas, exercitando o ato de compartilhar e recriar o mundo, pois, são esses os novos tempos interativos e virtuais. Nas telas há variados estilos, conturbados, incompletos, e até suspeitos na produção on line. Importante aprender a se expressar com devida autonomia e autoria, com maneiras criativas de expressão própria, ativando identidades. E que sejam para um mundo melhor para todos. 
Aprendendo a Aprender com a Dona Sofia
Aproveito para repensar as aprendizagens sobre a inteligência humana, pois segundo Piaget, "as funções da inteligência consistem em compreender e inventar, em outras palavras, construir estruturas estruturando o real" (Piaget, 1998, p.36), e daí me deparo que o livro na infância é tudo isso e muito mais. Reinvenção. "Se eu tivesse um mundo só meu, tudo seria um disparate. Nada seria o que é, porque tudo seria o que não é...". E coisas do balacobaco acontecem. Puft. Plum. Somem. Desaparecem. Modificam-se. Modernas são as demais tecnologias, mas, o livro cumpre o papel imaginativo, sensorial, psicomotor e social, mais delicioso que existe, desde ali com o bebê. Tocar, cheirar, virar... o avesso do avesso do avesso. Vai espiando o mundo com novos olhos em nossas conversas e contos.

Sofia adora assistir as histórias na tela do celular, do computador, do tablet, com as mídias bem integradas, animadas com todas as motivações possíveis. Mas, o livro continua sendo insubstituível para as crianças. E isso me deixa muito contente como pedagoga que sou e amante das crianças.

Referências
- Carroll, Lewis. Alice: edição comentada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
- _____. Aventuras de Alice no país das maravilhas; Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
- Alice_in_Wonderland. in: http://www.cswap.com/1951/Alice_in_Wonderland/cap/pt/25fps/a/00_03
- Piaget, J. Psicologia e Pedagogia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1998.

domingo, 16 de junho de 2013

Pedagoga e Blogueira: pela não-violência

Perdoar o ego ofensor?
"Um elefante deixa-se acariciar. O piolho, não." Lautréamont
Pois é, como Pedagoga Blogueira, Orientadora Educacional e Psicopedagoga, aprendi com Gandhi a palavra bem composta da "não-violência". A Luz é mesmo imune às ofensas e a qualquer impureza que possa vir.

"O que quer que façam conosco, não iremos atacar ninguém nem matar ninguém; estou pedindo que vocês lutem, lutem contra o ódio deles..." (Gandhi)

"Se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra" (Mateus, Cap.5). Jesus não proibiu a defesa, mas condenou a vingança...

sábado, 25 de maio de 2013

Comentários Anônimos Ofensivos

Constituição Federal de 1988
Art. 5° Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
(...)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
Opiniões são respeitadas desde que o comentário tenha nome e sobrenome. O blog quer trocar experiências, discutir ideias sobre educação, e não agressões. É muito fácil ao covarde agredir, acusar ou denegrir esta educadora e se esconder no anonimato. Pior ainda em se tratando de um educador, bastante ignorante em sua política, o que entende de educação? só de assédio, é o que parece.


Acusar sem provas e agredir são crimes previstos na Lei. Comentar em computadores públicos é outra covardia, mas, uma hora ou outra o IP de onde acessa irá te acusar. E nós te pegamos, cuidado!

Como blogueiros temos a opção de aceitar ou não comentários anônimos, a fim de tornar o espaço interativo, sem preconceito. Mas, o tipo de comentários ofensivos no anonimato não se pode tolerar. Podemos moderar. Mas, para que dar asas para uma pessoa doente como tu!

Fique em paz, se a tua consciência assim o permitir. Estou bem e muito feliz, meu querido! Para enriquecer o bom debate que tal, Chico Xavier, por aqui: "Se as críticas a você são verdadeiras, não reclame: se não são, não ligue para elas". Por este motivo deixei você livre por mais de três anos, mas, cansei de encher a tua bola. Se declare, querido anônimo, um dia você se cansa de me perseguir. Dá até para desconfiar, né? O que tu queres, meu bem? Chega de dar espaço para as tuas loucuras, de publicar teus comentários como isca. A tecnologia avança, assim como os modos de rastreamento!

Esta é uma forma mais humana e solidária de te reeducar. Tudo poderia continuar no silêncio. Afinal, somos educadores e como Orientadora Educacional e Psicopedagoga escolhi esta opção, por enquanto. Fique em paz!

domingo, 19 de maio de 2013

Orientador Educacional: uma profissão em extinção?

Uma das funções da pedagogia que mais me identifiquei foi a da "Orientação Educacional", embora tenha cursado Administração Escolar, entre 88 e 90, no Paraná. Cursei no Pará, a Orientação Educacional e depois a Psicopedagogia.
A "Federação Nacional dos Orientadores Educacionais" (FENOE) foi extinta em meados da década de 90. Os conhecimentos que fundamentam a prática interdisciplinar do orientador educacional entrecruza os saberes de Psicologia, Sociologia, História da Educação, e outros como Antropologia, Ciências Políticas, Metodologia e a Pesquisa como abordagem qualitativa.

Falo de extinção nos cursos de Pedagogia desta função pedagógica importante por ter ficado em aberto a formação profissional do orientador, pelas palavras publicadas na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), que em seu artigo 64, orienta/induz:


"A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feira em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional".

Ou seja, deixa a critério das instituições que, na maioria, relegam para a pós-graduação tal demanda, se houver... As escolas precisam desta função pedagógica e a nossa faz acontecer através das intervenções que urge na comunidade escolar.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura, aprovado em 13/12/2005, e a Resolução CNE/CP n.1, de 15/05/2006, reduzem a "orientação educacional" à área de serviços e apoio escolar. Contraditoriamente, o artigo 5° de ambos, mencionam que "o egresso do curso de pedagogia deverá estar apto..." para uma série de ações/intervenções, e que a gente na prática verifica que nossos colegas não foram formados para atuar, e nos angustia diante do projeto da escola que clama por essas competências/habilidades, que no caso as orientações legais apontam para a necessidade de um trabalho integrado com outros profissionais da educação ou parceiros institucionais como o psicólogo e o assistente social. Antes éramos formados por dois anos e dali saíamos como Pedagogos/Orientadores Educacionais ou Pedagogos/Administradores Escolares ou Supervisores Escolares. Para cursarmos a Pedagogia inteira levávamos em média 6 anos.

Como poderemos cumprir como egressos, sem a formação específica, com o que esses importantes documentos prescrevem no artigo 5°...


II compreender, cuidar e educar crianças de zero a cinco anos, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica, intelectual, social;
VII promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade;
XIV realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares; sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-ecológicos; sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas.

Cheguei a orientar um TCC que traz esse questionamento (O papel do orientador educacional na escola, 2007). Após a LDB 9394/96, se dá mais ênfase à gestão escolar e pouco se estuda/discute sobre as dificuldades de aprendizagem ou inclusão/adaptação escolar, que atualmente necessitam de pesquisa pedagógica, na área da orientação educacional.

Apresento alguns flashes que aconteceram nas últimas quinta-feira e sexta-feira, em nossa escola, através da abordagem da "Orientação Educacional", sendo o orientador educacional, na pessoa do Professor Elias Gomes, da Fundação Escola Bosque, como ponte entre estudantes, educadores - que inclui na nossa concepção todos os funcionários da escola, pais ou responsáveis do alunado.











terça-feira, 19 de março de 2013

Ler e aprender com a criança: histórias das interações e mediações da palavra


Como professora eu preciso de uma avaliação diagnóstica para pensar num programa de ensino e de meus estudos cujo princípio necessita da hesitação, da pausa, da dúvida, do olhar no ar, da mão que encobre a palavra e deixa visível, sem querer, o movimento do lápis que nos faz ler a palavra sobre suas mãos, o sorriso escorregadio e o apelo de aprovação ou da dica de qual a letra ou o fonema, mesmo que seja só o movimento de sua emissão... e vem a gente dizer tenta de novo, fale a palavra, pense na primeira letra e na última, mas, se está lendo a palavra dizemos quantas letras tem, quantos sons possui, qual a primeira e a última, quantas vogais têm e a lógica ajuda a repensar a palavra, a buscar combinações de seu repertório, abandonar a estratégia de dizer qualquer letra ou som em busca de nossa afirmação sem contar com a sua própria certeza... afinal, porque quer a nossa aprovação, algumas letras e sons se confundem, as complexas palavramundos dos textos musicados, poetados, contados, informativos e que são homófonas (de igual pronúncia, grafia e significado diferente), homógrafas (de pronúncia e significado diferentes e mesma grafia) , parônimas (grafia e pronúncia “parecidas” e de significados diferentes), homônimas (significados diferentes, mas, de “mesma” pronúncia e grafia)... Será que teme o erro? O que já sabe sobre escrever errado? E lá vamos juntos tentar entender porque são tão parecidas, de posse do conhecimento da língua vamos interagindo com o nosso tal português.

Afora adentrar no mundo das imagens, das lembranças, dos movimentos, da dinâmica da vida, das emoções e sentimentos, dos símbolos, dos recursos visuais tão múltiplos e encantadores como as palavras e seus significados e sentidos no contexto... e que viagem, meus queridos amigos, já passamos e estamos passando na escola com nossos coleguinhas, é são mesmo muitas aprendências novas, e o papo vai longe por vezes e lá vem um nova palavra compor essa aventura de aprender a ler e que tem o poder de nos reviver, de nos enviesar... coisas a torto e a direito que nos recompõe mais parceiros das letras nas palavras e seus tantos mais dizeres e modos de usá-las nesse mundão aí, lá em casa, afora de nós e por dentro que nos espezinha e poeta também, afinal, ninguém é de ferro.
E quem quiser que conte outra, me dá licença agora que estou louquinha para voltar a interagir com as nossas crianças lá da nossa escola. Beijinhos mil e bye, bye, ao astral mil de bom.
Múltiplas linguagens. É a vida na escola. Obrigado, crianças!