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domingo, 2 de outubro de 2011

Gestação Ecocêntrica: aprendências em novo status

A frequência das postagens de minhas tantas aprendências teve novo ritmo nos últimos três meses em decorrência das postagens na Rede de amigos do Facebook, mas, muito mais ainda por dois fatores importantes: a recuperação da saúde e o tempo de curtir a gestação da Lígia e sua Sofia que neste mês completam os nove meses, os dez meses lunares ou quarenta semanas e se - nos - preparam para o nascimento. Tal fase de meu renascer abre boas possibilidades para educar a neta com sentimento ecocêntrico em seu cotidiano, oposto ao legado antropocêntrico, valorizando crescimento nada efêmero da Vida.


Que sempre seja um crescimento sustentável pelo Amor e Respeito!

Deixo aqui as palavras do blog

sábado, 20 de agosto de 2011

Açaí e sua rede de conhecimento no mundo da palavra: alfabetizar-se na cultura da escola


O singular e o plural / O sujeito e o objeto
se misturam, como nesta obra de
 minha cunhada Miriam Gonçalves

Alguns equívocos de se trabalhar a palavra gera exaustão na criança, no alfabetizando. O professor desconhece o que Vygotsky chama de aprendizagem e desenvolvimento. Como uma criança aprende? Como um sujeito aprende depois de ter feito etapas mal feitas em sua escolarização?

Paulo Freire nos apresenta a palavramundo quando reitera por vezes que a palavra mundo precede a palavra da criança, ou seja, “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”. E que para Vygotsky (1991, p. 132) “uma palavra é um microcosmo da consciência humana”, por isso nos mostra que a palavra está na criança e em sua rede de significados, a qual reinventa sentidos ao bel prazer e para nosso deleite. Vamos aproveitar e também debulhar a palavra, pois, Sônia Kramer diz que a palavra precisa ser trabalhada logo em seguida. Código e Sentido juntos debulhados e enredados.

E falando de nosso ou de outros microcosmos...

Lembra da tagarelice de Emília quando fazia a sua “reforma da natureza”? A danada aproveitou que Dona Benta e todo o pessoal do sítio foram chamados para reformar o mundo na Conferência da Paz (Paris, 1919), que ocorreu logo ao final da Primeira Guerra (1914-1918). Lá se buscava reescrever um tratado a partir do depoimento dela com a Tia Nastácia. Afinal, as duas mulheres sabiam como melhor governar a paz e a alegria do sítio através de sua Humanidade e Bom Senso - admirava-se o Duque de Windsor lá "pelas zoropas" e pra banda da Inglaterra. Pois é, as duas tinham o Visconde como consultor científico.

Noventaequatropéia e o espanto das gentes.
Monteiro Lobato e a Reforma da Emília
E lá pelo Sítio, sósórósósó a Emília foi aprontando, mas, orientava os bichos a ajudá-la a fazer uma outra reforma e bem diferente de tentar modificar a humanidade, mas, não esquecia da natureza humana em todo rebuliço, e olha lá um olho no pé e bem no “mingo” para evitar tropeços nas pedras, espinhos e estrepes. Assim deixou Emília, os ditadores com as mulheres do sítio de bom senso, munidas de belo espírito prático e tão cuidadosas de tudo, porque arretada do jeito que era, faria ela, a boneca de pano, um grande escândalo internacional.

Tênia Emília, com a ajuda de sua amiga rã, e no laboratório oco de uma árvore foi criando o passarinho-ninho, a noventaequatropéia, o livro comestível, o porco magro, o sei-lá-que-animal-é-esse, o bule que apita, o pernilongo cantor, a gaiola de cabelo, as pulgas moles e paradas no meio do ar, as moscas sem asas, a reforma na vaca mocha, a reforma na personalidade das borboletas azuis. E seus tantos enxertos in anima vile em formiga, grilo, minhoca, pulga e centopéia reaproveitando aulas sobre glândulas e outras fisiologias...

Depois, bem foi ela mexer com “O espanto das gentes”...

Quantas crianças por aí afora não realizam seus experimentos, inclusive questionando e reinventando palavras como é o tal do “biriquitote xefra”, do Marcelo Marmelo Martelo da Ruth Rocha.

Cada aluno que chega, traz consigo a vontade de encontrar os seus colegas, de brincar, de “aprender muitas coisas”, de reinventar coisas e palavras tais, enfim, percebemos que o afeto medeia as atividades, influenciados pelo mundo interior e exterior. Não se pode separar o sujeito de seu objeto, há ali influências mútuas, conhecimento adquire dimensão de autoconhecimento, a formação da consciência crítica é primeiro passo de toda proposta emancipatória. O que seria uma reinvenção?

Giroux e Freire pensam na perspectiva de currículo que conteste os modelos puramente técnicos, segundo Silva (1999, p. 55), “a concepção libertadora de educação de Paulo Freire e sua noção de ação cultural forneciam-lhe as bases para o desenvolvimento de um currículo e de uma pedagogia que apontavam para possibilidades que estavam ausentes nas teorias críticas da reprodução então predominantes”.

Nada de exaurir a criança ao be-a-bá sem sentido, reproduzindo uma palavra só ao longo de um projeto pedagógico. É preciso agregar a produção de sua palavra (objeto-sujeito) na palavra do outro (objeto-sujeito). Ela precisa produzir sentido em tudo o que aprende, caso contrário o seu pensamento com suporte na memória reprodutiva não consegue criar de tão cansada fica.

A palavra "açaí" e seu - nosso microcosmo
À aprendizagem segue o desenvolvimento, segundo Vygotsky, é preciso que a palavra focada seja vista em diferentes contextos ou gêneros literários. A nova palavra se desdobra nos significados. Do Açaí, Yasaí, Fruta-que-chora, Açaizeiro, Vassoura, Corrida de Bocó, Corrida de Peconha, Macaca, Brincadeiras, Trabalho, Colheita, Venda, Comércio, Fome, Boca Roxa, Boca Pálida, Energia, Tapioca, Peixe, Carne-de-sol, Bicho Barbeiro, Higiene, Bacaba, Barco, Casquinho, Trapiche, Icoaraci, Ilha, Rio, Ribeirinho, Águas, Fluxos, Movimentos, Luta, Luto, Alegria, Música, Dança, Festa, Ecojóia, Safra, Trabalho Infantil, Escola, Cidadania, Vida!

A palavra Açaí se desdobra em tantas outras, não é mesmo? Então nada de ficar exaustivamente o ano inteiro trabalhando só com ela. Sósórósósó Açaí? Bem, cria-se o “mapa mental” bem legal com o alunado.

Contraste...
Qual a diferença do açaí e da bacaba, da vassoura e da “corrida de Bocó”, da fome e da energia, do hematófago bicho barbeiro e do piolho no cabelo, do modo de tomar açaí nas praias cariocas e de tomar açaí no festival de Inhangapi (PA)?

O texto escrito ou imagético da criança não é um vir-a-ser, ela é um sujeito social e histórico, dotada de linguagem própria que traz consigo uma visão de mundo e o dizer característico de sua gente, assim se respeita e se constrói a sua autorreferencialidade através da multirreferencialidade no processo ensino-aprendizagem. 

Casquinhos abarrotados de açaí
Ou seja, "a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo", dá a criança gostosamente a oportunidade de "escrevê-lo ou de ‘reescrevê-lo’, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente" (Freire, 1989, p.22), de uma práxis que permita a criança repetir, re-criar, re-viver a palavra e reinventá-la no texto que representa. Como também cooperar na reforma da natureza - humana - se preciso for, coisas de boneca que vira gente e espanta as gentes com medo do minhocão que vem vindo ou daquele que não "olha-pro-caminho-quem-vem".

Capa Original - 1a. edição 1941
Pois é, o minhocão botou os moradores para correr. E os jornais do mundo inteiro noticiaram e os canhões antiaéreos tentavam atirar contra a Coisa Preta lá de Juiz de Fora corrida pro Canal do Panamá e resolvida a beber sangue dum cavalo velho americano e a fazer as pulgas morrerem estataladas. Mas, que estranho fenômeno, hem Dona Pituitária?

Alguém por acaso sabe do monstro que assustou o mundo naquele lugar e no auge do café?

Coisas estranhas estão a acontecer aqui e acolá. E o texto do aluno a deslumbrar a vida e a nos fazer rir ou chorar - de tanto rir ou chorar mesmo. Quais as hipóteses das crianças e dos demais leitores? A coisa está mesmo preta! rs

Referências
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.
LOBATO, Monteiro. A reforma da natureza. 38 ed. 13ª. reimpr. São Paulo: Brasiliense, 2004.
ROCHA Ruth. Marcelo, Marmelo, Martelo e outras histórias. 42 ed. Rio de Janeiro: Salamandra, 1993.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
VIGOTSKII, Lev Semenovich; LURIA, Alexander Romanovich; LEONTIEV, Alexis N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 10 ed. São Paulo: Ícone, 2006.
VYGOTSKY, Lev. Pensamento e linguagem. 3 ed. São Paulo; Martins Fontes, 1991.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Instigante: a palavra da vez


Olha que selinho mais blogueiro...

Boa palavramundo nesse ambiente dos edublogueiros, a INSTIGANTE, através dela encontramos muitos de nós por aí espalhados. Bom passeio instrutivo, amigo...

Recebi este selinho da
Jenny que me fez lembrar de Marisa Monte a conhecer e aprender com gentileza. Estamos a fazer nossas releituras sobre “gentileza gera gentileza”. Podemos e devemos cuidar de nosso tempo e reaprender outros e novos ritmos, cadências, respirações, libertações do eu tão apressado que se esquece e de ver seu semelhante. Espelhos d’alma. Um olhar desvelador para além do espelho. Fez-me à flor da pele de Hilde (em: O Mundo de Sofia) atravessando o lago naquele barco e a se deparar com o tal espelho mágico naquela cabana, paradoxos do mundo real/irreal. Nessa rede autopoiética aprende-se a se auto-organizar e a vibrar com o inesperado, percorremos por novas conexões a ampliar leituras e redescobrir linguagens, percebemo-nos resilientes diante de um mundo caótico, complexo, violento, contraditório que nos exige botar ordem em nosso e noutros ninhos, com cadinhos de esperanças e paz a sorrir, porque somos teimosos e reaprendemos a palavra solidariedade. Reeducações. Superações.

Tecendo os caminhos dos selinhos e no intermédio de suas muitas homenagens cheguei até uma
outra Maria e não posso deixar de aqui transcrever suas belas palavras sobre o que é ser instigante:

Esse selo representa os blogs que além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, provoca-nos a necessidade de refletir, questionar, aprender e sobretudo que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria”.

Diante da textualidade, convido a todos por lá passar e conferir... Nesse momento tenho três blogs a homenagear pelo perfil instigante:


Tati Martins, muito boa instigante que se e nos desdobra em suas boas postagens. Sabe instigar e nos levar a passear pela net.
Adrianne Ogêda, a nova amiga amante da leitura e da educação sempre nos convida a viajar e a encontrar novos e bons amigos. Suas dicas sempre me enriquecem.
Franz, o professor mediador que iniciou muita gente aqui no Pará, as escolas municipais e estaduais estão dinamizando suas didáticas através da blogagem pedagógica, inovando, redescobrindo ânimos e linguagens, além de que, seus post merecem nossa reverência pela diversidade, pelas palavras muito bem colocadas, pela harmonia e sensibilidade educadora e crítica na medida certa. E por isso mesmo instigador, inquietante, ético porquanto educador amigo.