Brincadeiras. Coisas de crianças ou jovens. Tornam-se cada vez mais sérias. Por que estamos assim hoje? O fio se alonga na história... A internet hoje é um espaço por excelência da exploração da identidade, além de ser um meio de socialização. Cada vez mais adolescentes aderem às redes sociais a fim de difundir cotidianos e sonhar melhor. Torna-se urgente a revisão de segurança, acompanhamento de educadores e atitudes de formação/informação. Maus-tratos atravessam a rede, cotidianos e os sonhos.
Chega a ser perversa a resistência pedagógica contra a cegueira de que o fenômeno bullying existe, persiste, como se torna banal, também, a queixa da indisciplina, da evasão, da retenção escolar, da pobreza, da situação da escola pública. Trivialidades na pauta das justificativas que permeiam diferentes estágios do período letivo a emperrar o trabalho ou o desenvolvimento pedagógico. Qual é a proposta?
Chega a ser perversa a resistência pedagógica contra a cegueira de que o fenômeno bullying existe, persiste, como se torna banal, também, a queixa da indisciplina, da evasão, da retenção escolar, da pobreza, da situação da escola pública. Trivialidades na pauta das justificativas que permeiam diferentes estágios do período letivo a emperrar o trabalho ou o desenvolvimento pedagógico. Qual é a proposta?
Informação e prevenção se fazem necessárias no interior da escola. Assim como atitudes pedagógicas inteligentes, humanas e solidárias. Tolerância e ações cordatas a favor das alegrias culturais e escolares. Adjetivações pejorativas, omissões ou descasos, são atitudes que tornam a escola refém da violência escolar, por isso nada inteligentes. É preciso fazer a diferença na ação pedagógica.
Movimento contra maus-tratos presenciais ou virtuais requer compromisso ético daqueles que imediatamente se relacionam com estudantes, logo se considera como ação preventiva, a conscientização da família e de toda comunidade escolar. Cuidar das aprendizagens.
Se a tecnologia humaniza, a escola discute contraponto ético pedagógico. Boa lógica a exigir bons argumentos da comunidade escolar que empunha a bandeira da promoção da leitura como fonte de prazer e de conhecimento. É a leitura em suas interfaces pedagógicas e tecnológicas. O desafio da linguagem neste século é diminuir a distância entre nativos e imigrantes. E o desafio docente é ter nascido imigrante e tornar-se nativo.
Nativos digitais refere-se à nova geração que nasceu respirando tecnologia, logo após os anos 80, diferente da maioria dos adultos de hoje, que somos imigrantes digitais, sejamos pais ou mães, tios ou avós, professores ou professoras, amigos solidários, espectadores ou pacificadores.
Conscientização chama atitude, trabalho pedagógico sério e urgente até porque se espalham “os maus-tratos virtuais [que] são modalidades novas, bem mais requintadas do que as utilizadas no passado. As ferramentas disponíveis na internet, especialmente o Orkut, as minicâmeras fotográficas, os celulares com câmeras fotográficas e filmadoras, possibilitam aos praticantes o anonimato, uma vez que sua identidade e imagem não são expostas” (Fante; Pedra, 2008, p.63-4). Qual a motivação dos maus-tratos?
Como testemunhos de maus-tratos recebidos e recentes é o caso do adolescente de 15 anos que revidou a agressão de outro estudante (Richard Gale), de 12 anos, no pátio da escola. Vale a pena parar para assistir a entrevista e conhecer a história de Casey Heynes, repensar atitudes pedagógicas de informação e prevenção como fortalecimento de projetos inteligentes e solidários. Campanhas anti-bullying merecem atenção mundial.
A irmã de Casey foi responsável pelo ganho de sua auto-estima contra constantes agressões, intimidações e assédios sofridos frequentemente há três anos e desde pequeno quando estava no 2o. ano do Ensino Fundamental. O pai não tinha ideia do sofrimento do filho. E a história do agressor, qual é? A dor da batida no tornozelo ou o arranhão no joelho ajudarão no processo de cura? Conhece alguém como Richard Gale? Depois da repercussão, em sua defesa, afirma ter sido agredido antes. Sua própria mãe disse que ninguém deveria se machucar mais com a história e que Richard irá pedir perdão a Casey.
Todos necessitamos amar. Quem cuida do agressor?
Todos necessitamos amar. Quem cuida do agressor?
Poucos que protagonizam a “vítima típica” do bullying escolar conseguem dar a volta por cima, como os casos resilientes do presidente Barack Obama, Steve Spielberg, Rubem Alves, ou de mulheres famosas como Kate Middleton, a noiva do príncipe William, Britney Spears, Demi Lovato, a cantora Madonna, ou ainda de poucas identidades anônimas, como era o menino australiano Casey.
Bullying é o terror silencioso ou exacerbado, persistente ou ignorado. Histórias de muita submissão e rebeldia são reflexos do fracasso da escola (Patto, 1999) porque ganham força no interior da escola, nas relações de colegas sob olhar pedagógico, cuja omissão ou cegueira pode favorecer, mesmo sem querer, a própria violência que realimenta manchetes e páginas cotidianas de sangue dos jornais.
É preciso reencantar a educação (Assmann, 1996; 1998). Gostar de ler e escrever ou sofrer para aprender é a questão incorporada nas pedagogias que aproximam ou afastam alunos das aprendizagens escolares, mas, também os desafetos não percebidos nos ambientes da escola. O não gostar pode ser orientado pela sensibilidade educadora em sutilezas didáticas. Segundo Pedro Demo: "professor não é quem dá aula, mas sim quem sabe fazer o aluno aprender".
Inteligências mobilizam e elaboram projetos contra repetência, evasão, abandono e refletem as mudanças de escola e residência ou migração constante de localidades, bairros ou municípios. Esperanças de um mundo mais humano e melhor para todos podem ser materializadas e servir de exemplo na mídia daqui a pouco.
Termino aqui com uma reflexão para nós que estamos na escola. Segundo um entrevistado: "Casey é a fantasia de vingança para qualquer garoto que já sofreu bully". A escola suspendeu imediatamente os dois: a vítima e o agressor. Tolerância zero a lutas. E o conselho de Casey para tantos outros que sofrem do mesmo mal é: "foque nos dias bons e mantenha o queixo erguido. A escola não irá durar para sempre". Pelo que parece a escola está mesmo desacreditada para tantas crianças do mundo todo.
Para conhecer mais sobre os sentimentos de Richard Gale, acesse entrevista aqui, para pensar mais sobre a pessoa daquele que protagoniza o papel de agressor nessa fase da história. Penso que eles terão sim um final feliz.
Como se medeia as famílias e seus sentimentos?
O que atravessa toda essa gente que nos enovela?
Termino aqui com uma reflexão para nós que estamos na escola. Segundo um entrevistado: "Casey é a fantasia de vingança para qualquer garoto que já sofreu bully". A escola suspendeu imediatamente os dois: a vítima e o agressor. Tolerância zero a lutas. E o conselho de Casey para tantos outros que sofrem do mesmo mal é: "foque nos dias bons e mantenha o queixo erguido. A escola não irá durar para sempre". Pelo que parece a escola está mesmo desacreditada para tantas crianças do mundo todo.
Para conhecer mais sobre os sentimentos de Richard Gale, acesse entrevista aqui, para pensar mais sobre a pessoa daquele que protagoniza o papel de agressor nessa fase da história. Penso que eles terão sim um final feliz.
Como se medeia as famílias e seus sentimentos?
O que atravessa toda essa gente que nos enovela?
Referências
ASSMANN, Hugo. Metáforas novas para reencantar a educação: epistemologia e didática. Piracicaba: Unimep, 1996.
____. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998.
DEMO, Pedro. Saber pensar. São Paulo: Cortez, 2000.
____. Outro professor: alunos podem aprender bem com professores que aprendem bem. Jundiaí, SP: Paco Editorial, 2011.
FANTE, Cleo; PEDRA, José Augusto. Bullying escolar: perguntas e respostas. Porto Alegre: Artmed, 2008.
DEMO, Pedro. Saber pensar. São Paulo: Cortez, 2000.
____. Outro professor: alunos podem aprender bem com professores que aprendem bem. Jundiaí, SP: Paco Editorial, 2011.
FANTE, Cleo; PEDRA, José Augusto. Bullying escolar: perguntas e respostas. Porto Alegre: Artmed, 2008.
PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.





