A mãe e a professora: conversas sobre processos de mediação
Muitas vezes as mães se mostram inseguras e, até mesmo sem querer, criam dependências em seus filhos e filhas, nossos alunos e alunas. Elas querem que seus filhos aprendam, mas, não percebem os limites das aprendizagens e acabam gerando dependência mútua. A conversa entre uma acadêmica do curso e a mãe de uma criança colaboradora despertou-me a vontade de falar sobre tal assunto. A menina de seis anos é sua aluna na igreja de Escola Sabatina. A mãe se surpreendeu com a criança, a professora foi firme e segura na mediação. A criança confiante se sentiu livre para acreditar no seu próprio saber.
“No domingo à noite, após falar com sua mãe levei-a para uma sala reservada e expliquei sobre o trabalho. Antes sua mãe me falou que Marcelle escreve com uma pessoa falando para ela as letras, mas expliquei que ela iria escrever sozinha. Ela concordou em ajudar e dei as instruções. Comecei a ditar
a primeira palavra (borboleta – após cantar com ela animadamente a música da borboletinha), e ela me perguntou qual era a letra. Falei novamente sobre escrever como sabia, e então começou a escrever. Soletrava sílabas enquanto escrevia, e assim continuou com o dedo na boca, pensando e soletrando. Quando chegou na palavra nariz, ela parou, pensou, falou o som do iz no final da palavra e escreveu marisi. Na frase ‘A borboleta está na cozinha’, antecipou o s do está. Sua escrita é alfabética, sem segmentação entre palavras. Para desenhar, escolheu a borboleta, o pau e o nariz. Falou bem baixinho sobre o fato de só saber fazer o nariz como triângulo, meio sem-jeito".
O que é o erro? Por que no ato do desenho da borboleta, lembrou-se do nariz? Por sentir vergonha de desenhar assim o nariz e ter exitado em escrever a palavra? O erro deve ser entendido como uma oportunidade, um desafio e não uma ameaça. Na confiança da mediadora que lhe conferiu espaço para problematizar, questionar e reformular estratégias, a criança foi percebendo que o erro pode ser construtivo. Não apagou a sua primeira tentativa de escrever pau (ensaio do t no lugar do p), aconselhada a escrever ao lado, somente rabiscou em volta. Se verbalizasse seu conflito, encorajada poderia re-olhar saberes, problematizar e encontrar soluções remediativas. Apesar desse silenciar, ela encontrou o que buscava. Bons ensaios de mediação! Autoridade comprovada!- E agora, mamãe? Para ajudar as mamães a repensarem saberes e rever a função educadora enquanto também mediadoras do conhecimento na escola da vida, tão intensamente entrecruzada de olhares e tocares, idéias, vivências e confluências de sentimentos, emoções, razões, mitos, ilusões, sonhos, verdades e utopias.
Didática Piagetiana e a Orientação Pedagógica: os que as mães precisam saber para se sentirem mais tranqüilas, e sem deixar de serem amorosas.
A criança paparicada demais pode se sentir tolhida quando a mãe faz tudo por ela como prova do seu grande amor. A pequenina não come sozinha, não escolhe a roupa que quer vestir, não calça seu sapato, não pega um copo de água(?!).
A criança aprende é com a experimentação. O bebê cai e se levanta quando está aprendendo a andar. Ao tentar proteger o filho ou a filha para que não tenha nenhuma queda contribuímos para que essa criança se torne medrosa e receosa.
O meio termo é a melhor medida. A criança que se sente amada na medida certa se torna muito mais segura, se desenvolve cognitivamente, sente vontade de explorar, de aprender coisas novas, enfim, se sente equilibrada. É preciso amar com responsabilidade.
A afetividade é o motor da inteligência, segundo Piaget. E uma forma de se relacionar afetuosamente é demonstrar que se está realmente interessado na aprendizagem da criança. Em sua autonomia. E a nossa autoridade? Ressignificar os próprios sentimentos.
Desenvolvimento Cognitivo
• Nunca subestimar a criança quanto a suas capacidades. É muito comum esperarmos que elas não sejam capazes de realizar determinadas tarefas e facilitarmos suas ações (como abrir a lata de biscoito, a se limpar no banheiro, desembalar a bala, alcançar um objeto que esteja no alto etc.);
• Não fazer pela criança aquilo que ela pode fazer sozinha. Propor sempre que ela resolva por si mesma. Quando muito, dar uma pequena ajuda, mas nunca substituir a ação da criança pela sua.
• Não basta que ela faça algo é preciso que compreenda o que faz. Ela precisa construir e edificar as aprendizagens, através de seus próprios modelos, conceitos e estratégias.
• O adulto mediador gradua a atividade de acordo com o nível da criança. E o grau de dificuldade deve ser crescente, por andaimagem.
• Se a criança aprende pela própria ação é preciso deixar que ela tente, experimente, observe...
• Não ensinar verbalizando ou explicando. A criança aprende com a ação! É escrevendo que ela aprende a escrever. Deixá-la consultar suas “memórias”, dar espaço para pensar e interpretar.
• Deixá-la fazer perguntas e se sentir livre para ler o mundo, falar com o outro etc. A criança conversa inclusive quando trabalha. Conversa é socialização. Para ela, é difícil realizar uma tarefa não conversando. É-lhe natural. Mais espontâneo.
• Se não for possível uma ação sobre o conteúdo é porque não é útil para a criança. O conhecimento útil é passível de ser transformado numa ação apropriada (motora, representada ou verbal). Torna-se bem mais significativo.
• O adulto mediador gradua a atividade de acordo com o nível da criança. E o grau de dificuldade deve ser crescente, por andaimagem.
• Se a criança aprende pela própria ação é preciso deixar que ela tente, experimente, observe...
• Não ensinar verbalizando ou explicando. A criança aprende com a ação! É escrevendo que ela aprende a escrever. Deixá-la consultar suas “memórias”, dar espaço para pensar e interpretar.
• Deixá-la fazer perguntas e se sentir livre para ler o mundo, falar com o outro etc. A criança conversa inclusive quando trabalha. Conversa é socialização. Para ela, é difícil realizar uma tarefa não conversando. É-lhe natural. Mais espontâneo.
• Se não for possível uma ação sobre o conteúdo é porque não é útil para a criança. O conhecimento útil é passível de ser transformado numa ação apropriada (motora, representada ou verbal). Torna-se bem mais significativo.
No mundo atual, percebemos que os pais e as mães se sentem meio perdidos diante da correria, da influência midiática, do controle da própria ansiedade, no fortalecimento das próprias inseguranças diante da violência e de um mundo cada vez menos cooperativo olhando - com a criança as janelas...
- E o Brasil?
E daí? Como fica a professora, a coordenação pedagógica frente aos pais que se rendem a determinadas condutas de seus filhos-alunos? O que está errado? E a bolsa-professor? Inspirei-me na postagem da Jenny refletindo sobre a profissão-professor e o comentário que lá deixei em Professores do Brasil.















