domingo, 28 de fevereiro de 2010

Selinho da Dedicação e seus fundamentos emocionais na blogosfera


Desta vez fiquei a pensar: o que quer dizer "ser ou estar dedicada"? Ser cuidadosa. Esmerar-se... Respeitar. Doar-se. Entregar-se. Amar. "Saber" ouvir. Ser sensível. Orientar. Educar. Reeducar-se e junto ao outro. Reaprender. Desconstruir-se. Inteirezas. É o meu sentido em ação! Nessa busca incessante cheguei até "ao toque de amor", para saber mais sobre essa corrente energética que se espalha entre blogueiras dedicadas - como opção de vida.

Dedilhar. Saber tocar. De natureza artesanal. Construção. Re-olhar. Re-olhar-se! Ser humilde. Ser crítico. Afetar-se. Abraçar. Ter atitude. Contribuir com poesia e sonhos onde mais se precisa deles. A vida é dura. O planeta clama por socorro. E em cada ponto dele em que colocamos o alfinete para demarcar estudos. O mapa do nosso mundo. Estamos nele enquanto natureza humana.

Como estamos nos dedicando em nosso pequeno universo ou no grande universo? Nessa complexa relação vamos observando transições, flutuando no tempo e no espaço, ao mesmo tempo em que sofremos mudanças, pequenas transformações vão ocorrendo.

Pensamos e vamos digitalizando nossas emoções, razões, racionalidades, interações, diálogos e navegando nas telas que se descortinam, ressignificando nossas autorias e releituras.

Assim mais uma vez recebi um selinho, e esse veio lá do Rio de Janeiro, da querida amiga virtual,
Adrianne Ogêda. Há coisas em comum, dentre elas, a paixão pela literatura/semiótica/gênero discursivo - e por crianças -, com a importante missão de aprender com elas enquanto interagimos em nossas desconstruções que nos desafiam mais a aprender. As perguntas vão nos impulsionando para a frente, e reverenciamos esses momentos de trocas e na "blogosfera" - a nova palavra do nosso vocabulário de um ano de Blog. "Mevitevendo" nas Aprendências. Sincronicidades.

- Para quem ofereço?

À Daniela Torres, pela maestria de sua lente e sensibilidade em captar imagens de animais em seus habitat e transformar tais momentos em poesia ambiental - a virtuosidade virtual das novas tecnologias a favor da Vida, do belo. Mais essência. Mais saber. Mais amor.

E nesse ponto chegamos a Maturana (2004), enquanto um convite à reflexão sobre a espécie de mundo em que vivemos, de que é feito? Requer um exame dos fundamentos emocionais do nosso viver.

Assim pensamos a educação na perspectiva do amor e da solidariedade. Que tipo de participação tem sido a nossa, no sentido de construir paz, e não só após explanações/expiações da guerra - como contrapontos e atitudes em favor da Vida? Os fundamentos emocionais influenciam nossas ações, quando vamos mudando o nosso emocionar, o nosso funcionamento, em relação ao nosso ser cultural.

Para esse princípio do pensamento, Santos (2002, p. 30) nos reforça o re-olhar, pois, "estamos tão habituados a conhecer o conhecimento como um princípio de ordem sobre as coisas e sobre os outros que é difícil imaginar uma forma de conhecimento que funcione como princípio de solidariedade".

Estamos interligados na teia da vida, mesmo em nossas diferenças e silêncios, assim com o meio ambiente mantemos uma relação de interdependência é o que vejo na lente de Daniela, lá no município de Bragança (PA) a nos chamar a atenção. Me vejo te vendo, não é Adrianne?

Estejamos alertas e interligadas! O meio ambiente clama por nossa inteireza e reverência. Quem ama, cuida!

Referências
- MATURANA, Humberto. Amar e brincar: fundamentos esquecidos do humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.
- SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2002.

Imagem 2: http://www.deuslovult.org/2010/01/17/stat-crux/ (modificada)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Essas crianças... é só do prazer que surge a "vontade" de aprender


As formas de saber são sempre e inevitavelmente locais, inseparável de seus instrumentos e de seus invólucros (Geertz, 1997, p.10).
Estou lendo os relatórios de professores/professoras e juntos re-olhamos a trajetória 2009.

Em uma das Unidades Pedagógicas da Escola Bosque, situada na Estrada do Poção que fica na Ilha de Cotijuba, encontram-se dentre alunos da Educação Infantil algumas crianças que nunca saíram do lugar de onde moram, sequer atravessaram o rio até o Distrito de Icoaraci, em Belém (PA). No começo do período letivo, em 2009, as crianças não se percebiam em um contexto ambiental, mesmo aquelas de séries mais adiantadas da turma multiciclada/multisseriada.

O projeto "Horta do Conhecimento" desenvolve ações com as crianças daquela localidade, que vão desde o cuidado com o ambiente, o preparo do solo, o cultivo orgânico de algumas hortaliças e a produção de lanches diferenciados, na época da colheita. É uma festa para as crianças que além do delicioso cachorro quente tomam suco verde da horta.

O projeto favorece o desenvolvimento da oralidade, a reconstrução dos processos de letramentos e narrativas, de forma lúdica e interativa, com o objetivo de cultivar o que é sagrado: a produção do alimento, o consumo de nutrientes, a (re)educação alimentar a revigorar as relações de interdependência a partir do locus regional, ou seja, de cada ponto das Ilhas onde estão situadas uma das Unidades da Escola Bosque.

As ações pedagógicas se efetivam durante todo o percurso, no entrelugar “da sala à horta”, de afetos e comunicações, observando os componentes naturais nesse caminho e entre trilhas desfilam fauna, flora, solo, vento, sol ou chuva, movimentos e sorrisos, gritos, falares e andares.

Lá na horta realizam-se práticas de cultivo desde o preparo do solo até a colheita, manuseios que dão vida aos sucos e sanduíches naturais, sopas e pratos feitos a partir de suas hortaliças, focando o valor nutricional, a importância da saúde e a compreensão da sustentabilidade. Aqui e ali são salas de aulas reconstruindo-se, olhar aberto às ações curriculares que se intensificam e fomentam competências e habilidades docentes favorecendo tessituras a subsidiar os conteúdos que se entrelaçam em saberes produzidos, conhecimentos discutidos e mediados na Língua Portuguesa, no Conhecimento Lógico Matemático, nas Ciências Naturais e Sociais, nas Artes, na Corporeidade, no Movimento, no Re-Pensar, no Sagrado, nas Representações, na Vida!

A comunidade participa de oficinas com o objetivo de reconhecer e melhor utilizar hortaliças e as frutas da própria localidade. As orientações valorizam a prática de cardápios com alto valor nutritivo e baixo custo, considerando a filosofia da escola de educar para a sustentabilidade.

Essa é a práxis de professoras preocupadas em dar significado às aprendizagens de alunos e alunas. Mas, sempre algo nos diverte no trabalho que realizamos com crianças.

A professora perguntou na turma, quase ao final do período letivo, o que é produzido na horta. Imaginem o que algumas delas responderam? Hortaliças? Alfaces? Hortelã? ... Pegaram naturalmente a professora de surpresa: “cachorro-quente!”. É o que faz a festa da colheita: sanduíches especiais.

É uma delícia trabalhar com as crianças, elas tornam o trabalho pedagógico mais lúdico e cheio de aprendizagens mútuas.

Você tem alguma tirada boa? Lembro-me das tiras das HQ, ou seja, os comics. Fico a imaginar nossa expressão... Como podemos trabalhar o conteúdo, as perguntas, as percepções, as linguagens, a retextualização?

O processo de ensino-aprendizagem é visto como um processo que se define não em função daquilo que o professor ensina, exemplifica ou dá asas aos diferentes laboratórios de aprendizagens, na escola ou na comunidade. Mas esse processo deve acontecer a partir do que os alunos são capazes de aprender.

- O que vocês querem aprender em 2010? É uma pergunta que guia toda uma avaliação diagnóstica que se antecipa às elaborações dos Projetos Pedagógicos. Importante para o exercício dos protagonismos.

Sobre sentidos e significados, Alves (1986) nos fala sobre uma filosofia culinária da educação, do saber-sabor, dos desejos, paladares e cheiros: “Não há palavra que possa ensinar o gosto do feijão ou o cheiro do coentro. É preciso provar, cheirar, só um pouquinho, e ficar ali, atento, para que o corpo escute a fala silenciosa do gosto e do cheiro... O que importa está para além da palavra. É indizível” (Alves, 1986, p. 92-3).

- Como a escola resgata os saberes locais durante a realização pedagógica? Como realiza a transposição didática?

- Como o cotidiano é organizado para melhorar a aprendizagem?

- Que tipos de saberes da Ilha, da Horta, da professora, dos alunos, seus olhares e percepções, a escola aprende a integrar, tecer, ressignificar e reduzir o distanciamento?

A horta tem gosto de cachorro-quente! Há algo que os professores precisam aprender com os cozinheiros; a horta do conhecimento é um lugar do saber-sabor! Viva!


Referências:
- ALVES, Rubem. Estórias de quem gosta de ensinar. 6 ed. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1986.
- GEERTZ, Cliford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Letramentos por entre barcos, rios, pontes, açaís, jogos, sonhos e alegrias: cotidianos a navegar

Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismos. (Paulo Freire, 1998, p.58-9).

Crianças ribeirinhas vivem uma infância abreviada por conta da subsistência de suas famílias. O açaizeiro magricelo e alto é o prazer delas que olham sua altura e se colocam a subir. Quanta destreza e agilidade. Descem com um cacho farto de açaí. O lúdico permeia!?

A palmeira não suporta o peso do adulto. E seus filhos são pequenos e fortes. As crianças parecem pequenos anões, suas pernas se moldam a cada "trepada". A corporeirade traduz o lugar de onde vem.

As crianças de 4 e 6 anos são poupadas. Daí em diante ao suportar o peso do fruto começam a colher para a família vender na feira ou mesmo se alimentar.

Chegam na escola com a infância pela metade, pois, parte do tempo se dedicam à colheita.

Qual o sentimento e o sentido de infância que as famílias lhes dão?

Os professores dessas localidades pensam projetos para dar mais alegria, delicadeza, criticidade e amenizar a vida enrudecida: literatura infantil, cultura lúdica, músicas, artes, risos, sorrisos, hortas do conhecimento, visualidade ribeirinha. E as crianças a brincar no tempo, que lhes sobra, por entre pontes, canoas, árvores, rios, letras e suas harmonias.

Qual é a infância que as nossas crianças hoje vivenciam? A vaidade por aqui em nossa sociedade consumista impera, e as princesinhas de cá querem participar de concursos, desfiles, usar batom...

A cidade faz das crianças pequenos adultos, e também imperfeitos, a ilha faz delas pequenos trabalhadores, também explorados. Que tempo retornamos?

Quais os riscos que correm? Cair do açaizeiro? Ou nas malhas da pedofilia? Exploração das imagens? Dos seus corpos que se moldam ao contexto?

Literatura infantil? O olhar ampliado mais crítico, mais criativo, mais criador, mais humano, mais próximo. O conhecimento contruído pelas crianças, sabemos pela práxis que é fruto de um trabalho bem mais intenso de criação, significação e ressignificação. Buscam sempre o sentido próprio para as coisas de nosso mundo.

A vida é sonho. Navegar é preciso! Os sonhos? Sonhos são!

O lúdico resgata a infância. Os cantos, as músicas, os brinquedos e as brincadeiras não estão fora de moda. Independente das condições sociais é nata a forma de brincar. As crianças trazem o lúdico no sangue. Mas, as festas das famílias no tempo da colheita mostram adultos nem sempre tão preocupados com as crianças que ali estão e põem em jogo as diferentes formas de se divertir.

Outro problema por lá, os turistas que passam ao largo vão despejando seus copos, garrafas plásticas, papéis etc. por sobre as águas. As águas trazem tudo o que se descarta e, por vezes, na rede vem um peixe engasgado.
Um projeto pedagógico nasce de uma situação-problema. No re-olhar da situação podemos ver, com o apoio de Kleiman (2000, p.238), a construção de um projeto de letramento, que reaproveite a realidade local e dê corpo a um "conjunto de atividades que se origina de um interesse real na vida dos alunos e cuja realização envolve o uso da escrita, isto é, a leitura de textos que, de fato, circulam na [comunidade] e a produção de textos que serão totalmente lidos, em um trabalho coletivo de alunos e professor[a], cada um segundo a sua capacidade".

O que o currículo da escola está a nos apontar? Como a escola pode fazer a diferença na vida dessas crianças? Vamos repensar as questões sociais no pedagógico e encontrar a melhor forma de mediar, temperar a crítica e ampliar o olhar cotidiano através das leituras, releituras e retextualização.

Mais poesia e ciência, multirreferencialidade e autopoiesis - como a condição humana de seus múltiplos pontos, contrapontos ou religares, buscando o divinamente humano de nossa natureza...

Açaí, barcos, jogos, alegrias culturais, letramentos. Ressignificação! O olhar se amplia com a introdução de novos elementos e as possibilidades dialógicas.

É justamente em momentos de desconforto entre o saber e o conhecimento sistematizado, o anterior e o novo, que se dissipam a percepção das diferenças entre aprendizagens e não aprendizagens (Vygotsky, 1988).

Qual o universo vocabular dos alunos? As palavras gestadas em seu meio? Educação é conscientização. É reflexão rigorosa e conjunta sobre a realidade em que se vive, de onde emana o projeto pedagógico. Ciência, cultura e cidadania, aspectos múltiplos e pertinentes de assumir o letramento, ou seja, os letramentos múltiplos da vida social, como objetivo único e estruturante do trabalho escolar em todos os ciclos e fases.

Sobre os sonhos? Calderón (2008, p.22) sempre nos emociona em seu acordar a nos dizer: "Que é a vida? Um frenesi. / Que é a vida? Uma ilusão, / Uma sombra, uma ficção; / O maior bem é tristonho, / Porque toda a vida é sonho / E os sonhos, sonhos são". Em tela, este é um dos retoques da querida Stella Pessoa que, em sua reengenharia das palavras, me presentificou, entre outras leituras, a de La Barca.

Referências
- BARCA, Calderón de La. A vida é sonho. São Paulo: Hedra, 2008.
- FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998.
- KLEIMAN, Ângela. O processo de aculturação pela escrita: ensino da forma ou aprendizagem da função? In: KLEIMAN, Ângela; SIGNORINI, Inês (Org.). O ensino e a formação do professor: alfabetização de jovens e adultos. Porto Alegre: Artmed, 2000. (p.223-243).
- VYGOTSKY, Lev Semyonovich. A formação social da mente. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.


Imagem 2: arquivo pessoal
Imagem 3: http://radionews.musicblog.com.br/38957/Menino-Exibe-o-Cacho-de-Acai-Que-Colheu-na-Floresta/ (modificada)
Imagem 4: http://www.masp.art.br/servicoeducativo/assessoriaaoprofessor-nov07.jpg

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O que nos ensinam os alunos que "não" aprendem?


Em uma de minhas visitas nas turmas, deparei-me com um grupo de alunos que estava reunido no ambiente do projeto "Asas da Imaginação". Aproximei-me e fiquei observando seus movimentos e conversas. São alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem.

Como psicopedagoga me preocupo com o processo de aprendizagem, o processo que o sujeito utiliza enquanto construtor de seu conhecimento. O contrário da aprendizagem é a não aprendizagem, e não a dificuldade de aprendizagem. Como vimos aperfeiçoando o olhar e a escuta sensíveis?


As dificuldades de aprendizagem podem ser consideradas como sendo "fraturas no aprender", segundo a definição de Fernández (2001, p.52), "fomos estabelecendo uma diferença entre o fracasso de aprendizagem, ancorado no sistema educativo, o qual, por isso, preferimos chamar de fracasso escolar, e o fracasso na aprendizagem ancorado na criança e seu meio familiar. Reservamos o nome de problema de aprendizagem apenas para esse último". Diante disso me pergunto sobre o que fazemos, como educadores, com a criança que não aprende. Qual é a lógica de seu pensamento? E quais os saberes que vem acumulando?

No "Asas" e por cima das mesas agrupadas estavam letrinhas de plásticos avulsas e diversas, e reparei melhor e vi que um dos alunos mais irrequietos mexia com mais atenção. Fui conversar com as professoras que estavam na sala. E mesmo assim não tirava os olhos do menino e das letras nervosas.


Ele compôs com as letras, na horizontal, cinco vezes o seu segundo nome, como prefere ser chamado. O que achei interessante é que somente a letra D "maiúscula", bem central, aparecia invertida. Fui até à mesa e escolhi a letra "T" e inverti, colocando o traço horizontal para baixo enquanto montava uma outra palavra. Peguei o "Q" e fiz outra inversão. Ele me olhava. Ou melhor, olhávamo-nos um nos olhos do outro e com atenção nas letras a compor palavras. Bom jogo.

Aproveitei a deixa e perguntei a ele o que achava da disposição da letra "D" no nome dele. Disse-lhe que a forma da letra parecia como um pauzinho (reta) e uma bola (curva), e, sem modelos, perguntei sobre os seus saberes, se achava que a reta vinha antes ou depois da "bola", corrigi logo e falei "curva", ou ao contrário, primeiro a curva e só depois a reta (segmento de reta).

O aluno sem pestanejar disse-me que antes vem a "curva" para depois a reta. Madson acumula alguns insucessos pois é o mais velho de sua turma do Ciclo II (4o. ano ou 3a. série).


Pedi que fosse ao quadro e escrevesse o que ele me disse daquela letra de seu nome. O que ele fez? a letra minúscula. Essa era a sua lógica e por isso não estava com problema psicomotor ou de lateralidade. Sua teimosia tinha sentido sim, bastou que a gente pudesse vestir seus óculos.

Perguntei a ele se sabia o que eram letras maiúsculas e minúsculas. E tomei com referência a letra "B", e fiz notar pela sua descrição que ela tinha outra lógica e uma figura-ação diferente. E que tal falarmos de geometria (formas): semi-retas e círculos, esferas ou curvas..., de temporalidade (antes e depois) de posição (em cima, embaixo, acima, abaixo)? Mas, sem necessariamente didatizar, mas, saber conversar diante de um contexto como aquele. Quantos alunos estavam só nos observando ou dando seus palpites? E ele percebeu que se tentarmos descrever oralmente, na tentativa de fazer o outro entender, é bem diferente do que somente olhar ou montar a palavra. É um exercício que estimula o pensar para encontrar a melhor descrição do objeto. A lógica em ação na figuração.


Será que as professoras perceberam o raciocínio? Ao invés de dizer que ele estava errado e corrigi-lo, procurei antes da intervenção atuar na mediação, por processos de andaimagem, e assim saber o que Ele pensava da letra supostamente invertida, e pela quinta vez por sobre a mesa.

Recorro a Foucault para re-olhar a questão, o currículo da escola e suas verdades diante das realidades das crianças que se entrecruzam, e isto implica que nessa travessia possamos "pensar de outro modo o que já pensávamos ou perceber, desde um ângulo diferente ou mais preciso, o que já percebíamos".

- O que Madson ensinou? Talvez que temos muita pressa e com isso julgamos que eles é que estão errados ou não sabem escrever direito, atropelando seus movimentos de aprendizagens ou simplesmente dizemos que são tinhosos. A mediação faz aprender.

Qual é a sua experiência acerca de aprender com alunos sobre algo que te parece um erro?

- O que te ensina o aluno que não aprende?



PARA SABER MAIS:

DAMÁSIO, António R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
DIMENSTEIN, Gilberto; ALVES, Rubem. Fomos maus alunos. 6 ed. Campinas, SP: Papirus, 2003.
FERNANDEZ, Alicia. Os idiomas do aprendente: análise de modalidades ensinantes em famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 13 ed. São Paulo: Loyola, 2006.
TORRE, Saturnino de La. Aprender com os erros: o erro como estratégia de mudança. Porto Alegre: Artmed, 2007.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Prática escolar: do erro como fonte de castigo ao erro como fonte de virtude. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_08_p133-140_c.pdf.
MARCHESI, Álvaro. O que será de nós, os maus alunos? Porto Alegre: Artmed, 2006.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Humanóides presentificados: caranguejos fantasmas na toca

Fiquei sem palavras diante da imagem habilmente capturada pela nossa colega Daniela Torres, lá de Bragança (PA). A indignação precisa ser transformada em ação pedagógica urgente. Cidadania planetária! Sobrevivência da espécie!

A TERRA É AZUL!!! Memória planetária - interplanetária - cósmica!!! Pena que nossas imagens atuais não traduzam toda a beleza azulina que herdamos das gerações anteriores...

Os arquivos estão aí repletos de fatos tristes, desoladores... Este ano que inicia está repleto de imagens chocantes.

Gagarin abria a década de 60, com esta célebre frase. E nós findaremos a primeira década do século XXI com qual frase de efeito?

- E daí, está tudo azul por aí?

Momentos de silêncio, greve branca, caras pintadas, greve de fome, projetos de sensibilização, conscientização, formação continuada... Atitude urgente!

Vamos trabalhar em cima dos 5R?

- Reflexão (repensar e regenerar)

- Redução

- Recusa

- Reaproveitamento

E só por último: a Reciclagem!!!

- O que estamos fazendo com o nosso Planeta Azul?

- Clique aqui e vá até à página da Daniela e deixe lá o seu recado. Sua lente sensível merece reconhecimento pelo alerta que clama pelo despertar do eu que se esvai...

- Você tem fotos como esta? Ou ressignifique os princípios que acercam o nosso cantinho cósmico? Vamos fazer a nossa corrente de amor. Quem ama, cuida!

2010 é o ano internacional da biodiversidade!!! Qual será a nossa "campanha"?