
No jardim do Éden, o pecado se originou da mulher que morde a maçã e oferece ao homem a outra parte do que era-lhes proibido e do erro original de ambos, tentados por aquilo que não podiam, adveio a desordem do mundo: a dor, a violência, a separação, a fome, o labor (laborare, em latim, é sofrimento, esforço penoso); a vocação, o lar e o lazer aliviam. Outros olhares valorizam outros enredos do contexto. Depende da intenção.
As faces deste recorte tencionam falar do jardim de nossas infâncias. Os desenhos, as falas, a música, a ordem, a indisciplina, as risadas, o desconcerto, a piada, as matintas-perêras assustadoras, os lobos-maus em volta, os bosques escuros, os fantasmas assombrando, o medo de escuro se impondo nos cotidianos, as palmatórias e as sabatinas a ameaçar. A história (re)voltando, revolvendo, remexendo.
De qual semente viemos? Froebel (1912) cuidava de formar jardineiras, substitutas das mães, em um mundo mais feliz, cheios de belas flores. Crianças livres a brincar. A ordem traz a felicidade. A desordem, o caos. E nós vamos por qual caminho? Do alfinete ou das agulhas? Qual chega mais rápido?
Que escola queremos para 2010? A da ordem ou da desordem? Como se equilibra cultura e ciência, saber e conhecimento? Pelas mediações sensíveis e por isso inteligentes. Pode haver outras respostas. No momento satisfaz.
Valorizar as percepções, o conhecimento, as relações, as ideias... Assegura-se a aprendizagem pela compreensão, não somente através de ensaios e erros, daquela feita, de cabeça-bem-feita, os conhecimentos se tornam possíveis, acessíveis e podem ser melhor adquiridos. Bem formados. A afetividade é o motor da inteligência. O que afeta? O que é afeto? Quem afeta? Sobre quem e para quem? Interdependências! Inclusão.





Assim, o erro não é permitido, a irregularidade é vergonha ou motivo de piada. Depende do observador. A mão cobre o feito. A mão desiste da autoria pois se percebe incapaz. Os movimentos precisam corresponder aos demais, as falas devem estar num coro só, a música cotidiana traz os mesmos gestos, e ali tudo é felicidade. Quem ousa ser diferente? Quem diz/mostra que as coisas podem ser diferentes.
Nasce o que é bom. Segue-se o mestre. Modelos prontos perfilam no varal. O mais borrado é escondido das vistas. Por quê? Quantas histórias experimentam o lugar comum e tantas poucas ousam ouvir narrativas, aceitam os desenhos livres, incentivam os traços, a rabiscação, o borrão, a descoberta - a partir do movimento circular - do círculo verdadeiro. Dele vem o boneco, até mesmo antes do fechamento completo, já se pronuncia a tal bola que bateu e derrubou o copo de cima da mesa de casa e caiu na cabeça do gato e bem no momento que o pai chegou em casa e daí... e daí... e daí!? O borrão esconde o pecado. Alguém perguntou? E o respeito à liberdade?
Como ver as diferenças? Os diálogos de meninos e meninas. A mídia escancara. Quem dialoga?
Os desenhos trazem narrativas e não mais a casa, a árvore, o sol, a montanha, a chaminé, o sorvete, a menina, o elefante, os pássaros no céu. O que está acontecendo naquele cenário? Que casa é aquela? Como a menina passa por aquela porta diminuta? Por que a menina está feito uma estátua segurando um sorvete? Como a geometria se delineia enquanto perspectiva, figura fundo e segredos? O desenho é para a professora. A professora carimba com um "está lindo", "ótimo", "pinte no limite do desenho" etc. E a conversa?
O filme abaixo nos exige breque com conformação ou mudança, é ficção ou realidade?
A ciência do caos tem ligações com disciplinas científicas tradicionais, unindo tipos não-correlatos de descontrole e irregularidade: da turbulência do tempo até os ritmos complicados do coração humano, do desenho dos flocos de neve até os redemoinhos das areias do deserto varridas pelos ventos. Apesar de sumamente matemático em sua origem, o caos é uma ciência do mundo cotidiano, formulando indagações que todas as crianças já se fizeram: sobre a forma das nuvens, sobre a causa da ascensão da fumaça, sobre a maneira pela qual a água forma vértices numa correnteza (GLEICK, 1993).

Devemos pensar em recomeçar ou fazer diferente revendo experiências vividas, percorridas e percebidas. Dezembro possui uma energia toda especial, universal, flagramo-nos no amanhã bem ali, dispostos a melhorarmos como seres humanos por causa da passagem para 2010. Por que sempre sentimos a necessidade de evoluirmos na roda-viva? Podemos mudar nossos comportamentos e quebrar padrões para que não se repitam; se erramos, levantamos com as perspectivas das aprendizagens necessárias e possíveis. Podemos fazer com que a nossa própria energia se transforme em sentimentos positivos.
Nem tudo está perdido se não conseguirmos realizar o pretendido, se as mudanças não se efetivam. Tiquinhos de esperanças pululam diante da perplexidade de tanta guerra, morte, crueldade, verdadeiras barbaridades presenciadas a cada minuto na mídia e também a partir do local onde nos encontramos. E o nosso mundo interno? Pode ser melhor e novas conquistas se tornam possíveis.
Não há mudanças repentinas. Não há relação de poder que não se seja acompanhada da criação de saber, e vice-versa, segundo Foucault. Mudar não está acima de nós, exige-nos questionamento reconstrutivo, proposições. A criança inquieta o poder estabelecido por uma sociedade e em um dado grupo social. Nosso medo e insegurança de conseguir realizar alguma mudança pode ter a origem na infância, quando nos faziam acreditar que não seriamos ouvidos e capazes de resolver algo por nós mesmos. Que deveríamos somente ouvir, obedecer e aceitar, não poderíamos questionar, sermos alegres, amorosos e com desejos, interesses e atitudes.
Nem sempre é possível ter certeza do resultado de nossas escolhas, mas lembrar-se de que se não mudar ou tentar, os resultados poderão ser os mesmos e a insatisfação continuará ao final do outro ano. É isso o que se quer? Para mudar o resultado teremos que mudar alguns pensamentos e comportamentos. Como você e eu podemos começar? Repensar, arregaçar mangas e ir em frente! Qual pode ser o primeiro passo? Isto só cada um de nós pode responder, e nem precisamos esperar o próximo dia 31 de dezembro, mas iniciar o processo de mudança desde já! Para saber quais respostas desejamos é preciso saber ouvir aquela voz que nos fala bem no fundo da alma e raramente nos permitimos ouvi-la: ouvi-la é o aprendizado primário - pois é somente a voz do coração que clama por amor, compreensão e paz sobretudo conosco mesmo. Um exercício diário em 2010, a cada dia e todos os dias. Simples assim! Que nossos sagrados sonhos se realizem! É a paz! É o contexto necessário para estar com o outro e continuarmos caminhando.
Referência:
GLEICK, James. Caos: a criação de uma nova ciência. 2 ed. Trad. Waltensir Dutra. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1993.
Não há mudanças repentinas. Não há relação de poder que não se seja acompanhada da criação de saber, e vice-versa, segundo Foucault. Mudar não está acima de nós, exige-nos questionamento reconstrutivo, proposições. A criança inquieta o poder estabelecido por uma sociedade e em um dado grupo social. Nosso medo e insegurança de conseguir realizar alguma mudança pode ter a origem na infância, quando nos faziam acreditar que não seriamos ouvidos e capazes de resolver algo por nós mesmos. Que deveríamos somente ouvir, obedecer e aceitar, não poderíamos questionar, sermos alegres, amorosos e com desejos, interesses e atitudes.
Nem sempre é possível ter certeza do resultado de nossas escolhas, mas lembrar-se de que se não mudar ou tentar, os resultados poderão ser os mesmos e a insatisfação continuará ao final do outro ano. É isso o que se quer? Para mudar o resultado teremos que mudar alguns pensamentos e comportamentos. Como você e eu podemos começar? Repensar, arregaçar mangas e ir em frente! Qual pode ser o primeiro passo? Isto só cada um de nós pode responder, e nem precisamos esperar o próximo dia 31 de dezembro, mas iniciar o processo de mudança desde já! Para saber quais respostas desejamos é preciso saber ouvir aquela voz que nos fala bem no fundo da alma e raramente nos permitimos ouvi-la: ouvi-la é o aprendizado primário - pois é somente a voz do coração que clama por amor, compreensão e paz sobretudo conosco mesmo. Um exercício diário em 2010, a cada dia e todos os dias. Simples assim! Que nossos sagrados sonhos se realizem! É a paz! É o contexto necessário para estar com o outro e continuarmos caminhando.
Referência:
GLEICK, James. Caos: a criação de uma nova ciência. 2 ed. Trad. Waltensir Dutra. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1993.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 29 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.